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De outro planeta

Agricultura brasileira utiliza a mesma tecnologia levada a Marte pela Nasa

Startup Agrorobótica e Embrapa Instrumentação desenvolvem equipamento que analisa solos de maneira similar à atuação de robô enviado pela Nasa para descobrir água em Marte

HD/KV/SMC/nl/HK/NASA Robô Rover Curiosity: tecnologia de análise de solo no Brasil é praticamente a mesma da realizada em Marte | HD/KV/SMC/nl/HK/NASA

Robô Rover Curiosity: tecnologia de análise de solo no Brasil é praticamente a mesma da realizada em Marte

  • Giorgio Dal Molin

Os solos do Brasil e de Marte tem, agora, algo em comum - e não é a composição, mas o tipo de equipamento que fará a avaliação das terras brasileiras. Apresentado nesta semana, na Agrishow 2018, em Ribeirão Preto, o AGLIBS 1.0 utiliza a mesma tecnologia do robô Rover Curiosity, enviado pela Nasa para descobrir a presença de água em Marte, em 2011.

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Por meio de um laser que identifica os componentes químicos do solo através da emissão de luz, a novidade criada pela Embrapa Instrumentação e pela startup Agrorobótica avalia amostras de solos de forma rápida e limpa. A diferença para o planeta vermelho é que o equipamento brasileiro não sai ‘caminhando pelo solo’.

“Iremos trabalhar com parcerias de cooperativas e laboratórios, com pessoas que farão a coleta [de amostras]. O grande diferencial desse aparelho é que ele faz a análise sem o uso de reagentes químicos”, explica a física Aida Magalhães, sócia da Agrorobótica.

Joana Silva /Embrapa Instrumentação

Aida Magalhães, sócia da Agrorobótica, durante exposição do Aglibs na Agrishow 2018

Segundo a especialista, o equipamento é fornecido por um contrato de comodato e as informações coletadas são enviadas à startup por meio de um aplicativo. A partir disso, a empresa fornece um laudo específico para aquele solo. “O agrônomo, então, pode fazer recomendações específicas”, afirma Aida. Isso inclui o uso de fertilizantes, entre outros insumos e nutrientes para melhorar a qualidade do solo e aumentar a produtividade.

A aplicação dessa tecnologia na agricultura é inédita no mundo e mais sustentável que as atuais técnicas de avaliação de solo. “Hoje, para uma amostra, é preciso preparar em média 13 processos diferentes em laboratório, uma reação para textura, outra para carbono, outra para fósforo. Já o Aglibs 1.0 utiliza inteligência artificial, reduzindo e muito a geração de resíduos e o custo de análise”, garante a doutora Débora Milori, física da Embrapa Instrumentação.

Evolução

A inovação atualmente é capaz de analisar 1,5 mil amostras por dia, o dobro de análises realizadas por grandes laboratórios que utilizam metodologia tradicional no Brasil.

Esse volume, contudo, já foi mais limitado. A Embrapa vem trabalhando com essa tecnologia há pelo menos 12 anos, segundo Débora. Após o agrônomo Fábio Angelis, sócio da Agrorobótica, mostrar interesse na tecnologia, em um simpósio da Embrapa em 2014, o conhecimento foi transferido para a startup, que evoluiu o modelo para escala comercial.

“Dentro de nossa proposta de conectar robôs inteligentes com tecnologias e pessoas, já estamos trabalhando em modelos de quantificação de macro e micronutrientes no solo em parceria com a Embrapa Instrumentação que, em breve, deverão estar disponíveis para os produtores rurais”, diz Angelis.

O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, foi um dos visitantes da Agrishow que foi ao estande do projeto da Embrapa Instrumentação e da Agrorobótica para conhecer o projeto

Em três anos de calibração, amostras de solo de diversas regiões do Brasil já foram coletadas e analisadas pelo Aglibs. Entre os benefícios desse estudo está uma possível colaboração com o Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono do Governo Federal. Outra é com a capacidade de ampliar a produção de alimentos no planeta:

“Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação), o mundo vai ter perto de 10 bilhões de pessoas em 2050. Para alimentar tanta gente, precisamos aumentar em 70% a produtividade, e 60% disso depende do manejo correto do solo. É nessa linha que queremos atuar”, reflete Aida Magalhães.

Ou seja, a inovação brasileira pode colaborar nos três níveis do chamado “tripé da sustentabilidade”: econômico, ambiental e social.

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