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Agricultura

Biodiesel abre novo horizonte à canola

Marvin Epp usa área que ficava descansando para produzir oleaginosa e espera vender grãos a preço de soja | Antonio More / Gazeta Do Povo
Marvin Epp usa área que ficava descansando para produzir oleaginosa e espera vender grãos a preço de soja (Foto: Antonio More / Gazeta Do Povo)

Oleaginosa passou de 3,9 mil para 11,6 mil hectares em quatro anos, mas poderia ocupar área nove vezes maior, conforme avaliação do setor industrial

Por Carlos Guimarães Filho

Considerada a “soja de in­­ver­­­no”, a canola ensaia nova expansão nos campos do Paraná nos próximos anos. In­­teressadas na oleaginosa para produção de biocombustível, as indústrias estão desenvolvendo programas de fomento junto aos produtores paranaenses. O objetivo é alcançar, no mínimo, 100 mil hectares de canola para viabilizar o início da fabricação de biodiesel – hoje a oleaginosa atende o mercado de óleo de cozinha.

Condições para que essa meta se concretize não faltam, dizem técnicos e produtores. “O preço acompanha a cotação da soja e o investimento necessário no campo é baixo. É uma cultura com potencial que dá um bom retorno”, avalia o agrônomo Sérgio Eusich, da Cooperativa Witmarsum, nos Campos Gerais.

De acordo com os dados da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abaste­­cimento (Seab), a área plantada com canola aumentou 300% nas últimas cinco safras, saltando dos 3,9 mil hectares na temporada 2007/08 para 11,6 mil hectares na safra passada – houve queda de 15% em relação a safra 2010/11 (veja quadro), num ambiente de competição direta com o milho sobrevalorizado.

A produção da oleaginosa teve crescimento ainda mais substancial (370%). São 20,8 mil toneladas na colheita atual, que segue até outubro, contra apenas 5,6 mil na de 2007.

Incentivo

A Bsbios é uma das empresas que desenvolve trabalho de fomento junto aos produtores paranaenses de canola. A empresa opera há um ano uma usina de biodiesel em Marialva, Norte do Paraná, mas vem usando soja como matéria-prima. A expectativa, no entanto, é usar o grão de inverno, quando a produção aumentar substancialmente. Por enquanto, o material recebido é repassado à indústria de alimentos.

“A melhor relação para substituir a soja no processo de produção do biodisel é a canola. O grão de soja tem 20% de óleo, enquanto o de canola tem 40%”, relata o direto operacional da Bsbios, Carlos Gaspar.

O programa da indústria consiste em oferecer o pacote técnico de assistência ao produtor e garantir a compra de 100% da produção, ao preço da soja. Segundo Gaspar, o trabalho tem obtido ótimos resultados e o número de agricultores aderindo à cultura é crescente.

“A cultura passou a ocupar as terras dos produtores que a deixam arada no inverno. Olhando o que estamos fazendo e as outras empresas do setor, a área de canola pode chegar a 21 mil hectares na próxima safra”, prevê Gaspar. Além do Rio Grande do Sul, onde a Bsbios tem uma unidade em Passo Fundo, o programa também abrange produtores do Mato Grosso e São Paulo.

MercadoA perspectiva de aproveitar a área que ficava “descansando” para incrementar a renda foi o que atraiu o produtor Marvin Epp, de 70 anos, para a canola. Ele está prestes a colher a sua quarta safra na fazenda em Palmeira, nos Campos Gerais.

“Fiquei sabendo do interesse das empresas que falavam em transformar a canola em biodisel pela cooperativa [Witmarsum]. Como no inverno sobra área, resolvi experimentar”, conta. “A gente está pegando o jeito, testando para melhorar. Mas é uma boa alternativa. Quando comecei há quatro anos, vendi a saca por US$ 13 dólares. Hoje está US$ 45”, complementa.

Nos 95 hectares que destinou a cultura, o descendente de alemães projeta colher perto de 2 mil quilos por hectare – a média estadual na última temporada foi 1,7 mil. Ele espera vender a produção ao preço recorde da soja.

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