A fusão da Perdigão e da Sadia na Brasil Foods, confirmada esta semana, vai concentrar 44,3% do abate de suínos e 31,57% de aves nas mãos de uma única empresa no Paraná, conforme estatísticas internas do setor de carnes. Diariamente o estado abate 3,23 milhões de aves e 13,27 mil suínos. O novo quadro causa apreensão, principalmente entre os suinocultores. A avaliação geral sobre a fusão, no entanto, é positiva.
"O pessoal está com o pé no freio. Quem pensava em expandir adiou os planos, por causa do mercado e das últimas notícias da indústria", afirma João Batista Manfio, diretor administrativo da Associação Paranaense de Suinocultores (APS) e presidente da Comissão de Suinocultura na Federação da Agricultura do Paraná (Faep). A principal concorrente da Brasil Foods em suínos no estado será a Frimesa, que tem 15% de participação nos abates. A diferença é de 29 pontos.
Apesar de considerar que a concorrência entre os compradores favorece o suinocultor, Manfio observa que atualmente os integrados à Perdigão e à Sadia atuam em condições praticamente idênticas. As mudanças não devem elevar os preços iniciais da cadeia, lamenta. O lado positivo, avalia, é que a fusão tranquiliza quem previa fechamento de frigoríficos.
Os cerca de 7 mil criadores de suínos do estado tiveram sua renda reduzida por restrições às exportações. Calejados pela aftosa (2005), eles dizem que a gripe H1N1, inicialmente chamada de gripe suína, foi o golpe mais recente. A nova doença pouco afetou o consumo, mas adiou a elevação dos preços esperada para abril e maio. Atualmente, segundo a APS, o produtor gasta de R$ 2,3 a 2,5 para produzir um quilo de carne e recebe entre R$ 1,7 e 1,9. Como mais de 70% trabalham no sistema de integração com as indústrias, os preços são uniformes. Uma alternativa é a ampliação do mercado interno.
Frango
A apreensão dos criadores de aves deve se dissipar nos próximos meses, conforme avaliação do presidente a União Brasileira de Avicultura (UBA), Ariel Mendes. Ele considera que uma empresa grande e forte tende a oferecer bases sólidas a qualquer setor. Como as plantas da Sadia e da Perdigão estão estrategicamente posicionadas em regiões distintas, por força da histórica concorrência entre as empresas catarinenses, as mudanças nas negociações de contratos devem ser pequenas, avalia.
O avicultor não ficará sem opção, defende o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins. Ele considera que hoje existem 31 empresas e cooperativas que atuam na industrialização de frangos no estado. A ampliação das exportações é a bandeira do Sindiavipar. "Queremos que as 19 empresas que exportam sejam habilitadas para embarques à China", afirma.
Para atingir a marca de 100 milhões de frangos abatidos todos os meses, o Paraná precisa manter 5 mil aviários (de 20 mil cabeças) lotados. Mais de 10 mil avicultores dependem da situação da indústria para recuperar investimentos de R$ 250 mil por criadouro financiados em seis anos. Atualmente, os preços pagos ao produtor oscilam de R$ 1,5 a R$ 1,7 o quilo e o custo é variável, com margens de lucro consideradas boas apenas para os sistemas verticalizados, que produzem do ovo à ração.



