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‘Com ou sem Trump’, China mantém foco no comércio estratégico com o Brasil

Dados do comércio exterior mostram que, apenas na carne suína, Brasil já vendeu em seis meses quase o dobro do volume embarcado para China no ano passado

Albari Rosa/gazeta do povo A guerra comercial contribuiu para quase triplicar a venda de suínos para a China, principalmente depois de a Rússia ter imposto embargo ao produto brasileiro. | Albari Rosa/gazeta do povo

A guerra comercial contribuiu para quase triplicar a venda de suínos para a China, principalmente depois de a Rússia ter imposto embargo ao produto brasileiro.

  • Da Redação, com informações do Estadão Conteúdo

A guerra comercial entre EUA e China aumenta a atenção do país asiático em áreas produtoras de alimentos, como a América do Sul. No primeiro semestre deste ano, os chineses importaram quase o dobro do volume de carne suína comprada do Brasil em todo o ano passado. Estão ocorrendo altas expressivas, também, nas vendas de suco de laranja e frutas. A expectativa é de que a briga chinesa com os EUA provoque ainda aumento dos embarques de produtos como arroz e veículos.

Por outro lado, a exportação de minério de ferro, insumo da produção siderúrgica, recuou 4,6% para a China, justamente por causa da diminuição da produção no país asiático em meio à escalada protecionista americana, que desde março aplica sobretaxa de 25% ao aço chinês.

Segundo Ricardo Santin, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a guerra comercial contribuiu para quase triplicar a venda de suínos para a China, principalmente depois de a Rússia ter imposto embargo ao produto brasileiro. “A China é um mercado substituto e já vimos nos últimos meses um início do efeito da guerra comercial”, afirmou. Dados do portal Agrostat, do Ministério da Agricultura, mostram que de janeiro a julho deste ano foram embarcadas 89 mil toneladas de carne suína para a China, contra 48,9 mil toneladas em todo 2017.

Para Sérgio Mendes, diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), as restrições impostas aos EUA pela China representam uma janela para que o produto brasileiro ganhe espaço cativo no mercado asiático. Segundo ele, a maior demanda pela soja brasileira representou um “prêmio” sobre o preço do produto de US$ 2 por tonelada acima do preço usual.

Há uma oportunidade também para os exportadores de frango, já que o mercado chinês está fechado aos EUA por causa da influenza aviária e, com a disputa entre os dois países, ficará ainda mais improvável o fim desse embargo. Desde junho, porém, o frango brasileiro precisa pagar um “pedágio” de 18% a 38% do valor do contrato nas exportações para a China, que acusa o Brasil de praticar dumping (cobrar preço lá fora menor do que o praticado no mercado interno). O Ministério da Agricultura apresentou a defesa técnica do frango brasileiro e classificou a medida como uma pura barreira comercial. A diplomacia brasileira, no entanto, tenta evitar que o caso se transforme num painel na OMC, que pode levar anos para chegar a alguma resolução.

Com ou sem Trump

O interesse dos chineses em ampliar o comércio de alimentos com a América do Sul é forte e crescente “com Trump ou sem Trump”, diz o professor Nobuaki Hamaguchi, da Universidade de Kobe. O avanço chinês na região, por outro lado, pressiona o Japão a buscar um acordo comercial com o Mercosul.

Para Hamaguchi, um acordo poderia fazer o Mercosul, inclusive o Brasil, “ganhar mais participação no mercado japonês em áreas em que já tem vantagem comparativa”. “Certamente, produtos agrícolas, como carne e frutas. Para as empresas japonesas, o mais importante seria o setor automobilístico, que gradualmente está se expandindo no Brasil”, avalia o professor. Ele lembra que as negociações para um acordo remontam à década de 90. “Em julho, em Tóquio, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Keidanren fizeram uma declaração a favor do acordo. O Japão está se esforçando mais em sua estratégia de acordos internacionais e regionais”, conclui.

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