Carlópolis - Carlópolis, cidade com pouco mais de 10 mil habitantes no Norte Pioneiro do Paraná, quer se tornar referência em uma atividade que ainda é discreta no estado, mas dá sinais de crescimento em áreas alagadas para a formação de reservatórios para usinas hidrelétricas: a aquicultura em tanques-rede -- gaiolas lançadas na água.
Desde o mês passado, pescadores profissionais da região conseguem informação e assistência com o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Integrado de Pesca e Aqüicultura de Carlópolis, criado pela prefeitura da cidade com o apoio do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). O objetivo é fomentar a atividade e produzir peixe em larga escala no entorno da represa de Chavantes, mas respeitando a legislação ambiental.
Atualmente 31 pescadores estão apostando na atividade. O número parece ser pequeno, mas em todo estado a cadeia produtiva da atividade não reúne mais que cem profissionais. É exatamente por isso que a prefeitura e os aquicultures de Carlópolis pretendem investir na cultura e fazer da região o maior pólo aquícola do estado.
Além da exploração na Represa de Chavantes, a região do entorno do lago de Itaipu, no Oeste do estado, também se destaca na atividade. A diferença é que na região do Foz do Iguaçu a criação de peixes em cativeiro em águas que pertencem à União é restrita a espécies nativas, como o pacu, variedade que tem maior apelo comercial. No Norte Pioneiro, a exploração por enquanto é da espécie exótica mais comum: a tilápia.
Avanço
De acordo com o coordenador da área de Aquicultura da Emater, Danilo Mulmam, a expansão da atividade está relacionada principalmente ao fato de esse tipo de criação permitir ao produtor ter maior número de peixes em menor espaço, o que reduz custos e aumenta a rentabilidade.
Apesar de ainda não existir um levantamento oficial sobre o volume da produção de peixes nesse sistema no Paraná, os técnicos da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab) confirmam que a atividade está crescendo. O número de produtores ainda é pequeno, mas o volume de projetos que aguardam aprovação nos órgãos competentes passa de cem.
Na região da represa de Chavantes, a atividade começa a se desenvolver principalmente por conta dos investimentos prometidos pelos governos federal e estadual para incentivo à piscicultura. A oferta de linhas de crédito para financiamentos, investimentos em pesquisa e a construção de um abatedouro de peixes são alguns dos atrativos anunciados, mas que até agora só estão no papel.
No entanto, explica Mulmam, a falta de informação e conhecimento sobre a legislação das águas ainda é um entrave para a atividade. Segundo ele, os tanques-rede apresentam um melhor aproveitamento das represas e lagoas, mas para dar início à atividade é necessário ter um bom projeto, bem definido e, principalmente, legalizado.
Números
A comparação entre a piscicultura tradicional, desenvolvida em tanques escavados, com a aquicultura em tanques-rede é reveladora. Enquanto nos tanques-rede a produtividade é de 200 quilos de peixe por metro cúbico, em uma represa convencional esse número cai para apenas 2 quilos no mesmo espaço e volume de água. Isso acontece porque, além do ciclo da aquicultura em tanques-rede ser mais curto, a alimentação dos peixes, à base de ração, é bem mais nutritiva. Com mais alimento em menos espaço os peixes ganham peso e ficam prontos para o abate em no máximo quatro meses, três vezes mais rápido que na atividade desenvolvida em tanques escavados.



