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Nova Esperança revitaliza a sericicultura

Os criadores de bicho-da-seda na região de Nova Esperança, no Noroeste do Paraná, estão empolgados com o futuro da sericicultura. Programas estaduais e municipais oferecem ajuda aos produtores e pesquisas universitárias desenvolvem espécies de amoreiras e lagartas mais rentáveis e mais resistentes a pragas.

Esses trabalhos vêm sendo realizados desde o ano passado e a cultura passa por um período de transição. "Queremos aumentar a produtividade, manter o produtor no campo e melhorar a economia regional", disse o secretário da Agricultura de Nova Esperança, Edgar Moser Junior.

A preocupação da prefeitura é revitalizar a cultura na região. Para isso, a Secretaria da Agricultura trabalha em um projeto de renovação das amoreiras, que começou no ano passado e vai até 2008. As árvores antigas são retiradas e máquinas preparam o solo para o plantio de novas variedades. Como o serviço é custeado pela prefeitura, cada produtor deixa de gastar R$ 150 por hectare.

A intenção de Nova Esperança era revitalizar 300 hectares em três anos. Porém, deve-se chegar a 250 hectares até o fim deste ano e, se a demanda continuar no mesmo ritmo, o projeto deverá ser ampliado em 100 hectares. O secretário municipal informou que a revitalização pode continuar conforme o interesse dos produtores.

Outro incentivo para os sericicultores foi repassado pelo governo estadual em abril deste ano. O município recebeu 273 serrinhas usadas na poda das amoreiras. O equipamento gera uma economia de até R$ 70 por ciclo produtivo, evitando a contratação de pessoal e material para o serviço, que agora é feito pelos próprios criadores do bicho-da -seda. Eles estimam uma economia média acima de R$ 500 por safra.

O técnico agrícola da Emater Oswaldo da Silva Pádua considera fundamental manter a produção de bicho-da-seda no Paraná. "Há uma importância econômica, social e ambiental", justificou o especialista, ao citar que não se usa agrotóxicos nas amoreiras e que a atividade beneficia a agricultura familiar. Pádua aprova as pesquisas de variedades de amoreiras e explica que os novos tipos proporcionam um adensamento do plantio em áreas menores e mais produtivas. A técnica possibilita ao agricultor trabalhar com outras culturas, diversificar a produção e aumentar a renda.

A estimativa da Associação Brasileira de Fiações de Seda (Abrasseda) para a safra 2006/07 (encerrada em julho) é de que a produção seja de 8,05 mil toneladas de casulos com 1,3 mil toneladas de fios. O Brasil conta com 8.147 criadores de bicho-da-seda em uma área de 20.337 hectares.

O Paraná é o maior produtor nacional com a última safra estimada em 6,9 mil toneladas de casulos e cerca de 1 mil toneladas de fios. Logo atrás vem São Paulo, com 462 toneladas, e Mato Grosso do Sul, com 430 toneladas. O município que mais produz casulos no país é Nova Esperança.

Dados da Emater apontam que o Paraná tem hoje 6.882 famílias trabalhando com bicho-da-seda. Segundo a Secretaria Estadual da Agricultura, a safra 2006/07 rendeu 6,9 mil toneladas de casulos – 45% a menos que 12 anos atrás. Nova Esperança tem 762 famílias produzindo 1,09 mil tonelada de casulos, em uma área de 2,6 mil hectares – 13% da área de amoreiras do estado. O valor bruto da produção paranaense é de R$ 44,9 milhões, com Nova Esperança produzindo R$ 6,8 milhões.

A produção do estado já foi bem maior. Chegou a seu auge na safra 1994/95, quando o trabalho de 8.926 famílias resultou na produção de 12,7 mil toneladas de casulos. Em Nova Esperança, naquela época, a atividade rendia mais que o dobro do volume atual. O município tinha 1.162 famílias envolvidas na produção de 2,44 mil toneladas de casulos em 16% da área de amoreiras do estado.

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