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Nova geada agrava perdas na safra de inverno do Paraná

Técnicos da Seab espalhados pelo estado relatam qual foi o impacto do gelo em cada região

Gado teve que esperar o sol para não comer pastagem com gelo hoje pela manhã em Palotina, no Oeste. | Almir Trevisan/c Vale
Gado teve que esperar o sol para não comer pastagem com gelo hoje pela manhã em Palotina, no Oeste. (Foto: Almir Trevisan/c Vale)

O campo ficou coberto de branco do Norte ao Sul do Paraná na madrugada desta quarta-feira (28), com danos ao trigo, às pastagens, ao café, às verduras. Esta onda de frio não é tão forte como a de 23 e 24 de julho, quando houve geada negra e neve, mas agrava as perdas, que chegaram a 2 milhões de toneladas de grãos, relatam os técnicos da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) que atuam no interior do estado.

Devido à evolução da safra de inverno, os danos foram maiores do que os do mês passado na região de Ponta Grossa (Campos Gerais). Em zonas onde a maior parte do trigo estava na fase inicial (resistente ao gelo), agora de 50% a 60% estão em floração e frutificação, explica o técnico Carlos Vantroba, da Seab, que cita o município de Palmeira. A mínima foi 0º C na região.

Em Francisco Beltrão (Sudoeste), onde os termômetros registraram -1,3º C, houve geada forte. Além do trigo, o feijão plantado recentemente (trata-se da primeira das três safras da temporada 2013/14) também foi afetado. Se confirmada a morte dos pés, parte das lavouras terá de ser replantada.

A geada cobriu clareou até os barrancos dos rios na região de Pato Branco (Sudoeste), com mínima de -5,8º C na relva. Se não fosse o excesso de umidade -- teve chuva fina na véspera --, haveria camada de gelo sobre uma porção maior de pastagens e plantações. As culturas de inverno terão perdas porque, no caso do trigo, 60% da área plantada está em estágio vulnerável, conta o técnico Josemar Fonseca.

No Oeste do estado, as temperaturas também caíram a zero grau. No município de Palotina, a mínima de -1º C proporcionou a quinta e mais forte geada do ano. As perdas foram limitadas, porque não há milho em desenvolvimento e o trigo foi praticamente todo perdido. As pastagens ficaram cobertas de gelo.

Na região de Apucarana (Norte), o milho está adiantado e escapou, mas o trigo sente novamente o impacto do frio, bem como as pastagens e as plantações de hortaliças, informou o técnico Adriano Nunomura. Conforme Mácio Borges Camargo, técnico da Seab em Cianorte (Noroeste), as pastagens são as áreas mais prejudicadas e deve haver dificuldade maior para alimentação do gado.

As pastagens estavam rebrotando na região de Guarapuava (Centro-Sul), conta a técnica Dirlei Manfio. Nem pasto, nem trigo em desenvolvimento, nem feijão passam ilesos por temperatura mínima de -3º C como a registrada em Pinhão (Centro-Sul).

As perdas na região Ivaiporã (Norte) não são maiores porque as geadas fortes de julho já tinham queimado boa parte das plantações, conforme o técnico Sérgio Empinotti. O frio agrava a situação de produtores que enfrentaram queda de qualidade no feijão por causa das chuvas de junho. O setor se mantém animado devido à cotação da soja, que chega a R$ 67 por saca na região e promete uma safra de verão lucrativa.

A técnica Adriana Baumel, de Irati (Centro-Sul), relatou mínima de -2° C, num momento em que os produtores se preparam para o plantio de verão, que começa daqui três semanas. As perdas em trigo e feijão representam ameaça para o transplante de tabaco nas próximas semanas.

A mínima foi de 3º C em Paranavaí (Noroeste), com geada nas baixadas. Mas parte das pastagens já está seca por falta de chuva e a dificuldade de manejo do gado é concreta, conforme o técnico Vitor Lago. O clima é considerado seco demais para o plantio e a colheita de mandioca.

A madrugada de hoje foi a mais fria da semana, conforme as previsões meteorológicas. As perdas na agricultura serão avaliadas com mais exatidão na semana que vem.

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