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O novo e diversificado perfil agro do Norte do PR

O Norte do Paraná é uma das fronteiras agrícolas mais desenvolvidas e diversificadas do estado. Mas nem sempre foi assim. O cenário começou a mudar quando a monocultura do café, que reinava na região até a década de 70, cedeu espaço à produção agropecuária mais ampla.

A busca por novas alternativas não é recente, mas acentuou-se na última década. Uma mudança que, além da quebra de paradigmas, impôs novos conceitos à Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina) – tradicional reduto de pecuaristas.

Incorporar esse novo perfil, sem abandonar as raízes, virou meta da Sociedade Rural do Paraná (SRP), promotora do evento. Em sua 49ª edição, a feira, que começa nesta quinta-feira e segue até o dia 12, promete ser a vitrine desse processo, um desafio assumido agora, mas uma transformação que teve início a mais de 30 anos.

A geada de 1975 foi o grande marco divisor da agropecuária praticada no Norte do Paraná. Até então, os campos da região eram praticamente tomados por imensos cafezais e por pastagens ocupadas pela pecuária. Segundo o agrônomo, Paulo Varela Sendin, que por mais de três décadas atuou na área de planejamento do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina, a questão climática foi a "pá de cal" para o ciclo do café que impulsionou o crescimento da região entre a década de 40 até meados da década de 70.

Por outro lado, observa Sendin, o fim da supremacia cafeeira na economia do Norte do Paraná impulsionou de maneira acelerada a mudança do perfil da agropecuária regional. "Naquele tempo, começavam a surgir as primeiras lavouras de soja, trigo e milho da região. Com a instalação do Iapar, e logo depois a da Embrapa, que assumiu as pesquisas com soja iniciadas pelo instituto paranaense, essas culturas tiveram um aporte tecnológico que possibilitou a mudança do perfil da agropecuária na região", comenta o agrônomo que atua como consultor de inovações tecnológica e gestor de projetos da Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região (Adetc).

Sendin observa que no período em que o café era a principal lavoura, a região viveu um grande fluxo de novos moradores de várias partes do Brasil e de muitos países. "A cafeicultura tinha uma característica que chamamos de autárquica, ou seja, o dinheiro que ela gerava, ficava praticamente todo na região. A terra era fértil e os custos de produção baixos porque os produtores não consumiam muito fertilizantes, diesel e máquinas."

O pesquisador observa que as culturas que substituíram o café estão baseadas na dependência de insumos e de capital. Com isso, a renda é mais pulverizada, uma parte fica na região e outra vai para onde estão as indústrias de agroquímicos, máquinas e combustível.

Por outro lado, essa mudança no paradigma da produção agropecuária deu um novo perfil econômico para a região de Londrina. A agricultura se diversificou e os elos da cadeia se ampliaram e se fortaleceram. Sendin observa os institutos de pesquisas presentes no município foram fundamentais para esses avanços.

Dentro deste novo modelo, destaca o pesquisador, novos produtos ganharam espaços nas lavouras, como cana e fruticultura, e outros elos foram agregados à cadeia produtiva na região. "As cooperativas deram grande impulso também neste novo modelo ao participar da cadeia produtiva desde a lavoura, passando pela industrialização até o supermercado com produtos de marca própria", afirma.

Sendin lembra que até mesmo o café ganhou um novo modelo de produção, com a tecnologia do adensamento desenvolvida por pesquisadores do Iapar. "A cafeicultura já não tem a mesma importância econômica mas é uma boa opção na diversificação da propriedade, e agora privilegia a qualidade em vez da quantidade", afirma.

Segundo o pesquisador, na pecuária os avanços também acompanharam o ritmo da evolução tecnológica do setor. "A pecuária sempre esteve voltada para o aperfeiçoamento técnico, com seleção de raças e apuramento genético, e a Exposição é a vitrine desse trabalho dos pecuaristas", analisa. Sendin destaca também o espaço que a agricultura conquistou na ExpoLondrina. "A SRP tem tido cada vez mais a preocupação de transformar o evento numa grande mostra do agronegócio, refletindo a diversificação da atividade. (Colaborou Giovani Ferreira)

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