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Mais barato

Tomate ensacado direto no pé: entenda essa novidade das fazendas

Tecnologia permite controlar duas das principais pragas que atacam as lavouras; redução dos custos de produção pode chegar a 40%

Divulgação Técnica permite que os tomates cresçam dentro do saquinho, impedindo o ataque da traça e da broca-pequena. | Divulgação

Técnica permite que os tomates cresçam dentro do saquinho, impedindo o ataque da traça e da broca-pequena.

  • Flávio Bernardes, com assessorias

Não é para proteger do frio, nem para “agilizar” a fila do caixa no mercado. Mas o tomate ensacado no pé pode ajudar – e bastante - tanto o produtor quanto o consumidor... Só que de outra maneira: reduzindo os custos de produção em até 40%.

A técnica já era empregada em outros cultivos, principalmente na produção de frutas, mas agora começou a chamar atenção de tomateiros pelo país.

Segundo a empresa que desenvolveu a tecnologia, a cearense TNTEX, o saquinho é colocado nos pés de tomate no momento da floração, antes, portanto, de os cachos se formarem. Assim, o fruto cresce ali dentro, protegido do ataque de duas das principais pragas da cultura: a traça e a broca-pequena. Cada um dos insetos costuma gerar de 30% a 40% de perdas nas lavouras, segundo pesquisas da Embrapa Hortaliças.

Divulgação/Braskem

Os saquinhos são colocados no momento da floração.

“Estudamos cada cultura para criar uma solução totalmente adequada. O nosso saco também tem como diferencial o fechamento com elástico, que dá facilidade e rapidez de instalação e melhor qualidade de aplicação”, afirma Mario Mezzedimi, diretor da TNTEX.

“No sistema estaqueado, o custo do manejo convencional ficou em torno de R$ 27 mil por hectare, enquanto o manejo com saquinhos ficou em torno de R$ 16 mil”, acrescenta André Prezenszky, engenheiro da Braskem, multinacional brasileira que desenvolveu a substância utilizada na fabricação dos saquinhos. Ainda de acordo com ele, a economia leva em conta o custo com mão de obra, defensivos agrícolas e os próprios saquinhos.

“Com a técnica, há uma redução da perda de frutos danificados pelo ataque das pragas. Se forem considerados apenas os inseticidas para controle de insetos que atacam os frutos, a redução é de 95% a 100%”, complementa o professor Patrik Luiz Pastori, da Universidade Federal do Ceará (UFC), que conduziu pesquisas de dois anos sobre a eficiência da tecnologia.

Prezenszky salienta que o material possui baixa absorção e retenção de água, e proteção solar, o que permite o emprego em lavouras em diferentes situações climáticas: “a cultura do tomate é muito importante no país, ocupa quase 60 mil hectares, portanto essa tecnologia sustentável vai beneficiar muitos agricultores e também consumidores”.

Divulgação

A técnica pode ser eficiente, mas ainda não é recomendada para todos os tamanhos de propriedade.

Limitações

Apesar do potencial de redução de custos, o pesquisador da área de entomologia (estudo dos insetos) da Embrapa Hortaliças, Miguel Michereff Filho, salienta que ela é eficaz apenas em lavouras de pequeno porte. “Tem que ser com até dois mil pés. Acima disso, acaba acarretando em muita mão de obra”, explica. “[O saquinho] impede que a mariposa da traça e da broca coloque os ovinhos próximos ou na superfície do fruto. E as lagartas não conseguem perfurar esse papel. O produtor de pequena escala tem uma redução de 30% a 40% na quantidade de inseticida utilizado. Ele aplica outros produtos para evitar doenças, mas consegue ter um fruto com baixo resíduo [de agroquímicos].”

Salada valiosa

O pesquisador da Embrapa Hortaliças diz que o tomate pode dar bastante retorno financeiro, mas exige cuidados na mesma proporção. Em relação à traça e à broca pequena, o produtor deve evitar o cultivo em áreas próximas a outras lavouras de tomate, ou plantas que também são hospedeiras, como berinjela e jiló. Além disso, o ideal é optar por áreas mais secas e frias, e fugir das épocas de primavera e verão, quando os índices de infestação são maiores.

Miguel Michereff Filho pontua, ainda, que o agricultor deve evitar ao máximo o escalonamento de plantio, pois as plantas mais velhas podem passar pragas para as mais novas, e, se não for possível, trabalhar com barreiras de milho e sorgo. “Antes de estabelecer, ele faz esse isolamento para ficar alto, uns 80 cm acima do tomate. E tem que ser umas três fileiras, bem adensadas”, frisa. “Depois é inspecionar pelo menos uma vez por semana.” Se houver fruto podre caído no chão, ele deve ser retirado dali, e, depois da colheita, não tem jeito: a lavoura tem que ser destruída.

Traça e broca

As duas pragas são mariposas. A diferença é que a traça ataca desde as mudas. “A lagarta constrói um túnel por dentro da planta e pode matar brotação logo no início. Depois do florescimento, elas descem para formar o casulo e, no meio do caminho, param e atacam os frutos”, comenta o pesquisador. Já a broca-pequena pega o tomate bem pequeno, quando ainda tem o tamanho de uma azeitona.

Nos dois casos, o recomendado é adotar o manejo integrado de pragas (MIP). Há vespas que são inimigas naturais e atacam os ovos das mariposas, e inseticidas biológicos, totalmente seguros e que, por meio de uma bactéria, matam somente as lagartas.

No caso do controle químico, são até 90 produtos registrados no Ministério da Agricultura, por isso o produtor tem que buscar orientação para saber em que estágio cada um deles pode ser aplicado. “O MIP associado ao monitoramento consegue reduzir de 30% a 40% o uso dos produtos. As perdas ficam abaixo de 1%. O ideal é que não tenha mais do que 5% de perdas, e isso o MIP permite”, completa o pesquisador da Embrapa.

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