Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Agricultura

Plantio ampliado, mercado incerto

Menos desvalorizada que culturas concorrentes, soja avança sobre milho e feijão no Paraná e vai quebrando recordes Brasil afora. Produtor tem pressa em plantar, mas adia vendas diante de mercado que já cortou renda nos EUA

 |
Plantio em Juranda, entre Campo Mourão e Cascavel, marca o encerramento da safra de inverno |

1 de 2

Plantio em Juranda, entre Campo Mourão e Cascavel, marca o encerramento da safra de inverno

Apesar de chuvarada das últimas semanas, lavouras já plantadas seguem em bom estágio de desenvolvimento. |

2 de 2

Apesar de chuvarada das últimas semanas, lavouras já plantadas seguem em bom estágio de desenvolvimento.

A superprodução de soja e milho nos Estados Unidos (6,5% maior neste ano, chegando a 472 milhões de toneladas) aumenta a pressão sobre as cotações internacionais. Mas o Brasil responde à incerteza com ampliação da área de grãos, puxada pela soja, que passará de 31 milhões de hectares. Apesar de o vazio sanitário — que previne ferrugem asiática — ter terminado ontem, a semeadura começou na semana passada e já existe soja verde no Oeste do Paraná.

Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso confirmam aposta ampliada na oleaginosa, sustentando plano de aumentar a produção no longo prazo. Estão ampliando o plantio em 3%, 2,8% e 4,3%, respectivamente, conforme dados oficiais de cada estado. A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) confia em expansão de 5%, para 31,62 milhões de hectares.

A Conab prevê safra de 95 milhões de toneladas — 10% maior. E as estimativas das consultorias privadas vão de 91 milhões a 98 milhões de toneladas. A questão é que ainda há soja de 2013/14 para vender. Paraná e Mato Grosso estimam ter 8,7% das 40,9 milhões de toneladas que colheram ainda armazenados, algo próximo de 3,6 milhões de toneladas — o suficiente para carregar 60 navios.

Com preços menos atraentes, a comercialização antecipada da safra 2014/15 segue a passos de tartaruga. Especialistas apontam que fatores como as flutuações cambiais e as intervenções governamentais podem trazer alívio, mas não serão capazes de reverter a retração do mercado no curto prazo. Em Mato Grosso, por exemplo, numa época em que 38,5% da safra 2013/14 estava vendida, a comercialização acaba de passar os 10%. A média nacional, segundo as estimativas mais otimistas, está próxima desse mesmo índice.

Em relatório divulga­­do na semana passada o De­­partamento de Agri­­cultura dos Estados Unidos (Usda) elevou em 2,6 milhões de toneladas a previsão de colheita da soja, para 106,5 milhões. No caso do milho o ajuste foi de 9,2 milhões, para 365,6 milhões de toneladas. Os dados trouxeram a cotação da oleaginosa à casa de US$ 9 por bushel, enquanto para o cereal a retração foi para US$ 3 por bushel. No Brasil, só a soja de 2013/14, para pronta entrega, tem preço considerado razoável pelos produtores.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), a soja acumula queda superior a 30%. O mercado físico (pronta entrega) tem queda menor pelo fato de o Brasil ser uma das únicas regiões do mundo que dispõe de soja neste momento. No Paraná, a oleaginosa vale R$ 53 por saca, 11% a menos do que um ano atrás (R$ 59,85/sc).

“Internamente os preços não caíram tanto porque houve melhora nos prêmios de exportação e ligeira alta no câmbio”, aponta o analista de mercado Flávio França Júnior. Apesar disso, ele diz que essas indicações de preços podem ser consideradas nominais, já que o ritmo atual de negócios é fraco.

O maior reflexo da pressão sobre os preços ocorre sobre as vendas antecipadas, um forte indicativo de que a renda do agronegócio tende a cair na próxima colheita. Por isso que as vendas nacionais caíram, aponta França Júnior. Ele considera que a diferença é de 22% para 10%, na comparação com o início de setembro de 2013.

E a comercialização tende a continuar lenta. “O produtor já pagou as contas desse ano, agora a pressão virá só em março. Em alguns casos vender agora seria apenas realizar perdas”, constata o sócio-diretor da Agrosecurity, Fernando Pimentel.

A estratégia repete o comportamento da última safra, mas não isenta o produtor de riscos, constatam os especialistas. “No ano passado quem esperou se deu bem, mas agora é improvável uma recuperação antes de dezembro”, detalha Pimentel. “É preciso um fato novo pelo lado da oferta”, complementa França Júnior.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.