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Preço da terra nos EUA sobe 52% em apenas 3 anos

A corrida da agroenergia, causa principal da briga por área plantada e da explosão dos preços da soja e do milho nos Estados Unidos, também vem deixando sua marca no preço das terras agrícolas norte-americanas. De acordo com levantamento do USDA (Departamento de Agricultura), a média nacional do preço da terra alcançou US$ 6,7 mil por hectare em 2007, com avanço de 13% frente ao ano anterior.

Em relação a 2004, ano que antecedeu a aprovação pelo Congresso dos EUA da política de combustíveis renováveis atualmente em vigor, a valorização é de 52%. Já a comparação com 1998, dado mais antigo divulgado pelo USDA, mostra que o preço médio da terra nos EUA mais que dobrou em nove anos, ao passar de US$ 3,3 mil para US$ 6,7 mil por hectare (+103%).

No Meio-Oeste, região que lidera a produção de soja e milho nos EUA, Illinois é o estado onde a terra é mais cara. Em 2007, um hectare de terra agricultável nesse estado alcançou preço médio de US$ 11 mil, 16% acima do valor de 2006 e 65% mais que há três anos.

Em Iowa, maior produtor norte-americano de soja, milho e etanol, e um pouco menos urbanizado que Illinois, o valor do hectare chegou a US$ 9 mil em 2007, com valorização de 17% em um ano e de 57% desde 2004. Crescimento anual semelhante foi registrado nos vizinhos Missouri (17%) e Minnesota (15%).

A situação norte-americana é bem diferente do que acontece no Brasil, que mesmo sem precisar desmatar ainda possui cerca de 90 milhões de hectares para expandir sua fronteira agrícola. Os EUA não possuem mais espaço para aumentar a área dedicada à agricultura. Cada vez mais urbanizado, o país terá que administrar melhor a "briga por área" que vem sendo travada entre milho, soja e trigo e, em menor escala, o algodão.

Para isso, só há uma saída: liberar o plantio em áreas de conservação ambiental mantidas no âmbito do Conservation Reserve Program (CRP), programa governamental que incentiva os produtores rurais a manter reservas de vegetação em parte das terras agricultáveis de suas fazendas, por meio de contratos voluntários que duram de dez a 15 anos e que, hoje, cobrem 14,9 milhões de hectares – o equivalente a 39% da área total de milho.

No início do ano, houve especulações de que o USDA liberaria área de conservação para que o plantio do milho pudesse avançar. Recentemente, em resposta a novos rumores, o secretário Chuck Conner disse que a medida, por enquanto, não está nos planos, mas ele "não hesitará, no futuro, em fazer ajustes para equilibrar o setor". É bom, portanto, ficar de olho nessa história para ver como evolui a intenção de plantio para a próxima safra norte-americana.

Fernando Muraro Jr. é engenheiro agrônomo e analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas, fmuraro@agrural.com.br, www.AgRural.com.br.

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