Tradicionalmente direcionado ao consumo interno, o milho passa a sofrer um efeito bastante conhecido entre os produtores de soja: as vendas ao exterior fazem com que os preços se mantenham em alta em plena colheita. Na safrinha, a produtividade menor que a da safra normal já limita a influência da colheita nos preços, mas no Paraná maior produtor nacional essa pressão ainda é dada como certa. O resultado é um mercado agitado, com a saca de 60 quilos variando de R$ 15 (Oeste) a R$ 19 (Paranaguá). Esses preços acompanham os praticados em Santa Catarina e Rio Grande do Sul e estão acima das cotações verificadas nas demais regiões do país.
A resistência do vendedor, que ainda espera ganhar mais, tem contribuído para essas cotações, segundo os operadores de mercado. Com isso, fica mais difícil formar lotes para exportação, o que abre os preços à influência externa. Os preços internos se mantêm apesar da cotação na Bolsa de Chicago ter registrado queda de 9% entre junho e julho. Avalia-se que a temporada de baixas não terá muita força também por lá.
"Apesar de terem plantado mais milho, os Estados Unidos devem ter consumo também maior. Por isso, países como o Brasil tendem a exportar mais. Estamos exportando o dobro do ano passado todos os meses", afirma o analista de mercado da AgRural Stéfano Passinato. As exportações brasileiras de milho chegaram a 803 mil toneladas no mês de junho, ante 346 mil toneladas em junho de 2006. A participação do Paraná caiu de 80% para 60%, mas, em quantidade, ainda é maior que a do ano passado. Até dezembro, as exportações podem chegar a 7,5 milhões de toneladas 2 milhões a mais do que no ano passado.
"O único problema do milho, e da soja, é a taxa de câmbio", afirma o analista da Safras & Mercados Paulo Roberto Molinari. Em sua avaliação, para que a renda do produtor melhore substancialmente, a moeda norte-americana precisa não só voltar para a faixa de R$ 1,90, mas manter tendência de alta. "Se isso ocorrer, o cenário do milho muda, dependendo de como o mercado vai trabalhar com a exportação", pondera.
Para Molinari, em relação ao plantio da próxima safra de verão, o mercado aponta para a repetição do cenário da safra 2006/07. "A tendência é de que no primeiro plantio o produtor opte pela soja, que tem maior liquidez, e depois aposte no milho safrinha." Na competição com as lavouras de inverno, o milho safrinha deve cobrir áreas disponíveis ao trigo.



