Os irmãos Alexandre e Paulo Kapuchinski cultivam, há décadas, lavouras de feijão na área rural de Prudentópolis, na Região Centro-Sul do Paraná. No ano passado, quando a prefeitura e a empresa Brasil Ecodiesel apresentaram a mamona como uma cultura rentável, Paulo não hesitou. No lugar de feijão, plantou a oleaginosa, mas o resultado não foi o esperado. "Se tivesse plantado feijão teria ganhado uns R$ 10 mil, mas com a mamona tirei só R$ 230", contabiliza. O dinheiro, que deveria ter sido transferido para a conta dele em março pela empresa, ainda não chegou.
Diferente do irmão, Alexandre resolveu não arriscar, e saiu ganhando. Neste ano, mantém sua opção: já começou a semear a próxima safra de feijão. "No ano passado, o feijão estava rendendo R$ 3 o quilo, enquanto que a mamona estava R$ 0,70 o quilo", compara.
Paulo não pretende simplesmente destruir os pés de mamona, que devem render nova colheita neste ano. Não descarta a possibilidade de se frustrar novamente com a cultura. Para evitar o pior, planta um pouco de feijão. Paulo e Alexandre não estão sozinhos. Desestimulados, os agricultores familiares de Prudentópolis vão reduzir a área plantada de mamona neste ano.
Segundo o gerente do Departamento de Extensão Rural da Secretaria de Agricultura de Prudentópolis, Eurico Wady Gomes, a prefeitura continuará apoiando o projeto. Já a assessoria de comunicação da Brasil Ecodiesel afirmou que a empresa está reavaliando o fomento da cultura no Paraná.
Sobre a pendência nos pagamentos, a empresa diz que o atraso se deve ao fornecimento de dados incorretos das contas bancárias pelos agricultores e também à falta de dinheiro em caixa. Nem a prefeitura nem a empresa informaram quantos dos 207 produtores que assinaram os contratos ainda estão sem receber os pagamentos pela produção.
A tendência da retração na produção da mamona se repete em todo o Paraná. Enquanto na safra passada o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Meio Ambiente (Seab) contabilizou uma produção de 933 toneladas de mamona em uma área plantada de 652 hectares, na safra 2008/09 a estimativa de produção cai para 490 toneladas e a área plantada, para 270 hectares. "Há muitos anos, a produção de mamona vem caindo no Paraná. Uma das razões é o baixo preço e outra é a substituição da mamona por outras culturas", comenta o técnico do Deral Richardson de Souza.
O Paraná contraria a tendência nacional. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve produzir 146 mil toneladas de mamona na próxima safra, o que representa 55,8% a mais que a produção anterior. Cerca de 93% desta produção está concentrada no Nordeste do país. O resultado do aumento da produção se deve ao uso do óleo como combustível para a aviação e na indústria química (tintas, batom e até lentes de contato).



