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Produtores querem servir pão de mandioca com trigo ao presidente Lula

Os produtores de mandioca retomam, a partir desta semana, o movimento visando a apresentação de novo projeto de lei que autoriza a adição de derivados de mandioca à farinha de trigo. Uma matéria com essa finalidade chegou a ser aprovada no ano passado, mas acabou vetada pelo presidente Lula. A ordem agora é investir no convencimento do presidente da República, já que o projeto é visto pelo setor como um instrumento capaz de equacionar a produção e evitar aumentos no preço do trigo.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), Ivo Pierin Júnior, a mistura de até 10% do amido de mandioca ao trigo vai ficar mais interessante em 2009 por causa da redução de quase 50% na produção de trigo na Argentina, o maior fornecedor do produto para o Brasil. Na avaliação da Abam, o governo economizaria em torno de R$ 100 milhões ao ano com a importação de trigo, caso a mistura fosse autorizada por lei.

A direção da Abam acredita que o presidente Lula não foi bem assessorado na decisão de vetar o projeto de lei de autoria do deputado federal Aldo Rebelo, de São Paulo, que fora aprovado com facilidade na Câmara dos Deputados e no Senado, após vários meses em tramitação nas comissões internas. Como a adesão dos parlamentares foi unânime ao projeto, no ano passado, o setor não imaginou que o presidente Lula vetaria. "Por isso, a gente não investiu tanto no convencimento do presidente, mas agora teremos de jogar todas as fichas para mostrar a ele que a proposta não pode ser menosprezada porque interessa ao Brasil todo", diz Pierin.

Retomar o assunto não será tarefa difícil porque até os parlamentares da base aliada ficaram inconformados com o veto ao projeto, segundo a Abam. E as reuniões com os deputados e senadores começam nesta terça-feira e têm a finalidade de discutir qual a melhor forma de encaminhar novamente o projeto.

A postura do deputado federal Moacir Micheletto é um dos exemplos usados pela Abam. Ele chegou a defender o arquivamento do projeto, mas quando experimentou o pão oriundo da mistura do trigo com amido de mandioca, elogiou a qualidade e passou a ser um dos defensores. "É isso que precisamos fazer com o presidente Lula: que ele prove do pão com mistura de mandioca."

Além de inserir mais nutrientes no pãozinho, a adição do amido de mandioca ao trigo pode evitar aumento no preço do cereal, já que a colheita argentina registrou a maior queda dos últimos 20 anos. Dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicam que a produção ficou entre 8 e 9 milhões de toneladas na safra 2008/2009, bem abaixo das 16,3 milhões colhidas na safra passada. A redução foi provocada pela seca nas regiões produtoras.

Como o Brasil importa mais da metade do trigo que consome da Argentina, os reflexos no preço podem ocorrer em pouco tempo. "O amido de mandioca surge como meio para evitar o aumento no preço do trigo", informa a Abam. Os números da produção de amido de mandioca na safra de 2008 ainda estão sendo apurados, mas a entidade estima que a colheita deverá ficar em torno de 600 mil toneladas, numa área de aproximadamente 180 mil hectares cultivados com mandioca. Menos de 10% da produção é exportada e cerca de 50 mil t ficam em estoque.

Enquanto articulam a nova investida em busca da mistura da farinha de mandioca ao trigo, os líderes do setor também querem aumentar a exportação em 5% e contam com a valorização do dólar como incentivo. A relação cambial elevou o preço do amido na Tailândia, o maior produtor mundial.

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