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Queda nas exportações derruba preço das frutas

Ponta Grossa - A fruticultura paranaense passaria ilesa pela crise econômica mundial não fosse o aumento da concorrência no mercado interno, causado pela quebra nas exportações, que reduziu os preços pagos ao produtor em até 30%. A produção estadual de frutas in natura é voltada especialmente para atender ao consumidor brasileiro, que desde o início do ano está vendo nas gôndolas dos supermercados e nas feiras livres uma variedade maior de frutas.

Há cerca de quatro anos, os 35 produtores ligados à Cooperativa Agrícola dos Campos Palmenses (Cocamp), em Palmas, no Sul do estado, abandonaram a exportação e apostaram no mercado interno. A produção de maçãs neste ano, que deve girar em torno de 25 toneladas, está enfrentando a concorrência da fruta de outros estados. A Associação Brasileira de Maçã esperava exportar 110 mil toneladas da fruta em 2009, mas a quantidade comercializada caiu para 30 mil toneladas devido à redução do consumo na Europa e nos Estados Unidos.

"Isso abarrotou o mercado brasileiro e baixou os preços", atesta o agrônomo da Cocamp, Geraldo Teruo Gobara. Segundo o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) Paulo Andrade, isso também aconteceu com a banana e a manga.

Gobara acrescenta que a crise provocou a oferta de uma variedade maior de frutas no mercado. "As frutas passaram a concorrer entre si com a redução da exportação", afirma.

Mas, a redução de preços pagos ao produtor não repercutiu no bolso do consumidor. O técnico da Central de Abastecimento (Ceasa) de Curitiba, Valério Borba, afirma que a queda não foi percebida no mercado.

De acordo com o presidente da Associação de Fruticultores do Paraná (Frutipar), Paulo Carlos Cosmo, a redução pode estar relacionada à queda no consumo do brasileiro, devido aos reflexos da retração econômica. Andrade, da Seab, acrescenta que o brasileiro ainda vê a fruta como um complemento na lista de compras e não como um alimento. "Um dos primeiros itens a serem cortados, em época de crise, é a fruta", analisa, citando que o brasileiro consome em média 50 quilos de frutas por ano, enquanto que no Japão, por exemplo, o consumo anual é de 120 quilos.

No vermelho

Além dos efeitos da crise, os fruticultores estão recebendo menos devido ao inverno, que reduz a demanda e força queda nos preços. "O movimento caiu uns 40%", diz o vendedor de um atacado de frutas em Ponta Grossa, Rafael dos Santos.

O agrônomo Daniel Bathke Motta diz que o granizo prejudicou a produção de maçãs e a renda da fruticultura. "As maçãs ruins puxaram o preço das boas para baixo." Ele acrescenta: "Teve produtor que sofreu, não cobriu os custos de produção." Essas frutas estão indo parar nos sacolões.

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Moacyr Saraiva Fernandes, esse é o grande receio. "Não podemos ter produtores trabalhando no vermelho porque isso pode afetar as safras futuras", afirma.

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