PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Agricultura
  3. Sinal ruim da internet é maior ‘praga’ contra agricultura de precisão
falha na conexão

Sinal ruim da internet é maior ‘praga’ contra agricultura de precisão

Seminário de inovação do Centro-Oeste aponta necessidade de investimentos em infraestrutura para que os benefícios da conectividade cheguem às propriedades rurais, principalmente às de menor porte

Jonathan Campos Família Marcolim na lavouora de milho em Nova Santa Rosa, no Piauí | Jonathan Campos

Família Marcolim na lavouora de milho em Nova Santa Rosa, no Piauí

Goiânia (GO) |

  • Gabriel Bosa Folhapress

A ausência de conectividade digital e carência na assistência técnica aos pequenos produtores são os principais entraves para a consolidação da agricultura de precisão no Brasil. Apesar de as propriedades familiares serem maioria no setor, a falta de estrutura dificulta o crescimento da produtividade.

Esta foi uma das conclusões dos especialistas que integraram a terceira mesa de debates do seminário Inovação no Brasil: Centro-Oeste, promovido pela Folha de S.Paulo e com patrocínio do governo de Goiás, nesta segunda-feira (12), no K Hotel, em Goiânia.

A agricultura de precisão é a tradução de informações que contribuem para a redução do uso de insumos, para o aumento de produtividade e para uma maior renda aos produtores, explicou Luis Henrique Bassoi, pesquisador da Embrapa Instrumentação.

“É uma forma de gestão de uma área agrícola que leva em consideração a variação de fatores em um determinado sistema de produção no espaço e tempo. Possibilita analisar e tomar decisões de um modo diferenciado”.”

José Mário Schreiner, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), afirmou que a união entre as esferas políticas e entidades de pesquisa é fundamental para a inclusão da produção familiar na agricultura de precisão.

“Temos muita tecnologia no agronegócio, mas isso não consegue chegar nas propriedades rurais, principalmente àquelas de menor porte”.”

Para encurtar a barreira tecnológica, o governo do estado investe na expansão da rede de conectividade através de um programa com a Goiás Telecom.

O objetivo é garantir acesso em todos os 246 municípios até o fim do ano, segundo Francisco Gonzaga Pontes, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação de Goiás (SED).

Os elevados investimentos na compra de maquinários inteligentes e análise de dados restringem a técnica aos grandes produtores. Para o secretário, os resultados positivos em grande escala justificam os investimentos aos produtores familiares.

“Esse setor é carente, que precisa muito do apoio governamental para que ele se desenvolva, fazendo papel social de fixação do homem do campo no seu local”.”

Início dos anos 90

A agricultura de precisão foi introduzida no Brasil nos anos 1990, com a chegada dos primeiros tratores com sistema de GPS. Nas últimas décadas, o sistema evoluiu para outras frentes de trabalho, incluindo plantadeiras, colheitadeiras e pulverizadores pré-programados de acordo com as condições da área.

Schreiner afirmou que a automatização do trabalho rural reflete no protagonismo do Brasil como produtor mundial de alimento.

Além da mudança na produtividade, a agricultura de precisão também atraiu profissionais e especialistas de outras áreas ao agronegócio, segundo Bassoi. O aumento nos investimentos na área elevará o setor ao o que o especialista chama de “fazendas inteligentes”.

“Precisamos ter essa transmissão de dados de maneira mais eficiente. A partir disso, teremos práticas diferenciadas do tratamento de solo, água, controle de plantas invasoras, controle de pragas e doenças”.”

Políticas públicas diferenciadas

Apesar de ser majoritariamente presente em lavouras de grande escala, os especialistas ressaltam que o emprego da agricultura de precisão é acessível para todos os tipos de produção.

“O procedimento é passível de utilização em qualquer sistema de produção e em escalas diferentes”, disse Bassoi.

Para Schreiner, a diferenciação deve ser nas ações do poder público para a inclusão de todos. “Todos nós somos produtores. Não existe essa diferença, o que devem existir são políticas públicas para chegar a esses produtores menores e cadeias menos favorecidas”.”

Benefícios ambientais

A análise de áreas que precisam de maiores combates contra pragas, resultando na redução do uso de defensivos agrícolas, também foi enfatizada pelos especialistas como benefício da agricultura de precisão. Segundo o presidente da Faeg, a economia chega a 80% em determinadas situações.

A seleção de áreas para irrigação também foi apontada como outra contribuição para preservação ambiental. “A irrigação é o maior elemento da agricultura de precisão, porque consigo controlar exatamente a minha umidade do solo, assim como eu desejo ou preciso”, afirmou Pontes.

Siga o Agronegócio Gazeta do Povo

Assista agora

VOLTAR AO TOPO

NOTÍCIAS POR CULTURA