As vacas fazem fila para ser ordenhadas por robôs em fazendas da Holanda. Sem que ninguém puxe pela corda ou chame, os animais se posicionam diante da máquina três vezes ao dia. Os funcionários e pecuaristas controlam a operação por computadores. O trabalho mais pesado que sobra é a produção e reposição de alimento nos cochos.
O segredo do sistema é a administração dos instintos dos animais. Para ter sua ração preferida, a vaca entra no rodízio da estrebaria. Quando sente vontade de chegar ao cocho, o animal tenta passar por uma catraca, liberada logo que o robô de ordenha fica livre.
A ordenhadeira automática funciona num compartimento que recebe uma vaca por vez. Quando o animal chega a esse compartimento, o robô higieniza o úbere e localiza as tetas usando um sistema de sensores. A ordenha é concluída num intervalo de 10 a 20 minutos.
A estimativa é de que 3 mil fazendas holandesas estejam utilizando esse sistema robotizado de ordenha. Como pode funcionar 24 horas por dia, uma ordenhadeira dá conta de 60 a 70 vacas. O leite coletado vai direto para uma câmara fria, normalmente esvaziada de três em três dias.
A difusão do sistema atende à pressão do mercado pela produção em escala, contam os pecuaristas Menno e Jo-Ann Houdÿk, de Stavenisse, Oeste da Holanda. Eles têm 120 vacas em lactação e, com margem de lucro estreita, automatizaram o processo para reduzir custos no longo prazo.
A ordem é ampliar a produtividade por vaca com o menor custo possível. Atualmente, alcançam média de 29 litros por animal ao dia. Consideram que a marca pode ser melhorada, uma vez que algumas matrizes rendem até 56 litros de leite ao dia nas primeiras semanas de lactação. Com o sistema automático, podem se concentrar nessa meta, controlando desde a criação dos bezerros, e trabalhar na produção de alimento para os animais. Praticamente toda a área disponível na propriedade de 60 hectares serve a este propósito.
O uso dos robôs reduz a necessidade de mão de obra. Os pecuaristas relatam que há falta de profissionais qualificados e dispostos a viver no campo. Com a ordenha automática, um rebanho de 120 vacas e uma propriedade de 60 hectares podem ser controlados por três pessoas.
A mesma pessoa que reabastece os cochos pode controlar o robô de ordenha, enquanto as demais se dedicam aos bezerros e à produção de alimentação animal. Sem a máquina, seriam necessárias duas pessoas na tarefa de ordenha de 120 animais, mesmo que fossem realizadas duas sessões ao dia.
"A grande vantagem é a organização do trabalho. Nossa rotina ficou mais tranquila. Enquanto estamos em outras atividades, as máquinas estão trabalhando na ordenha", diz Jo-Ann, que agora tem mais tempo também para a família. Ao custo de 200 mil euros, os aparelhos se pagam em dez anos. O prazo é relativamente longo, uma vez que, daqui a uma década, nova tecnologia deve estar disponível.
Os aparelhos ainda não chegaram às regiões que produzem mais leite no Brasil. Nos Campos Gerais do Paraná, onde a média por animal chega a 40 litros ao dia, o sistema não tem adesão dos pecuaristas. O custo é considerado alto pelos produtores, que teriam de investir ao menos R$ 500 mil e climatizar os galpões onde ficam as vacas.
Tecnologia contra as limitações
Faça chuva, sol ou neve, os produtores agrícolas da França mostram-se equipados com tecnologia para aproveitar cada centímetro de solo. As mesmas áreas que dispõem de sistemas de drenagem, em que canais e bombas controlam o excesso de água, são providas também de equipamentos de irrigação. Neste ano, a água se tornou escassa e os irrigadores tiveram de ser ligados.
Isso não significa que haja uma corrida desenfreada para compra de equipamentos de última geração. A avaliação é racional. A aparelhagem amplia os custos e faz com que as atividades se tornem viáveis graças ao pagamento de subsídios, afirma Arnaud Degoulet, que cultiva 280 hectares no Oeste da França. Ele recebe 87 mil euros ao ano e paga 7 mil euros pelo uso da água o Rio Sarth.
Além da agricultura, ele cria e engorda porcos com 400 matrizes. A maior parte da terra é destinada ao milho, para alimentação dos animais. O trigo, especialidade do país, recebe apenas 14 hectares.
O que importa é garantir a viabilidade da unidade produtiva, considerando todos os fatores, avalia. Degoulet alcança 11 toneladas de milho por hectare, bem acima da média de 8 a 9 toneladas registrada na região. No trigo, está 20% abaixo da média, com 7 toneladas por hectare.
Na suinocultura, controla desde o nascimento dos leitões à engorda dos animais. Produz a ração na própria fazenda, com um sistema artesanal. Nas horas vagas, atua como vice-presidente da Agrial, cooperativa que produz de carne de frango a legumes embalados.



