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Vocação regional

Em tempos de agricultura competitiva, margens reduzidas, altos e baixos na relação de oferta e demanda, a diversificação é questão de sobrevivência no campo. A monocultura nunca foi uma opção inteligente, embora ainda represente uma ameaça em algumas regiões do estado. Durante décadas, a aposta em uma única atividade foi a prática responsável por muita quebradeira no agronegócio.

Quem não lembra do café, destruído pela geada negra de 1975, que também levou à lona a economia do Norte do Paraná. E a pecuária extrativista, que ainda hoje mantém terras subaproveitadas na região Noroeste. São exemplos e lições de um modelo de produção que, mais cedo ou mais tarde, acaba sofrendo abalos. O produtor se obriga, nessa hora, a mudar a gestão da propriedade, partir para outras atividades, investir em novas tecnologias e promover mudanças radicais.

Porém, se aproveitadas na devida proporção, as atividades características de cada região podem ajudar no equilíbrio econômico e social, do campo e das cidades. Quando são aperfeiçoadas e bem estruturadas, tornam-se marcas registradas de determinado país, estado ou município. É o que chamamos de vocação regional, característica que se sobressai e considera outros fatores, como clima, classificação fundiária, infra-estrutura logística e grau tecnológico. Reunidos, são atributos que transformam cidades e regiões em verdadeiras ilhas dedicadas a esta ou aquela atividade.

Modelos clássicos são encontrados no Paraná, com a predominância não de uma, mas de várias vocações, espalhadas e delimitadas territorialmente. Apesar de responder por menos de 5% da produção nacional, quando o assunto é café lembramos logo do Norte, numa área entre Londrina e Maringá. A produção de frango, então, está quase que 100% concentrada no Oeste, onde também se produz muita carne suína.

Existem cidades que surgiram e têm sua economia baseada na vocação agropecuária regional, como Cafelândia, próximo de Cascavel, onde mais de 60% da arrecadação de impostos está na indústria de frango, que emprega pelo menos 1/3 da mão-de-obra da localidade. Tem ainda o leite, que nos remete até Castro, nos Campos Gerais. A bacia leiteira da cooperativa Castrolanda é, reconhecidamente, a mais tecnificada do país. O município produz mais de 120 milhões de litros/ano, liderança ameaçada por Marechal Cândido Rondon, onde o fomento realizado por laticínios atinge uma produção de quase 100 milhões de litros.

Na edição de hoje, o Caminhos do Campo mostra uma dessas vocações, que rendeu a Nova Esperança o título de "Capital do Bicho da Seda". Localizado a 30 quilômetros de Maringá, o município tem a maior produção de casulos do Paraná, que é primeiro produtor nacional. Vamos mostrar o esforço dos produtores, da pesquisa e do poder público para fazer jus a essa referência. Com toda uma infra-estrutura voltada para esse fim, o resgate da sericicultura é questão de diversificação, mas também de sobrevivência, principalmente de pequenos produtores.

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