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Para entender

Angola cede 60 mil hectares para produtores rurais do Brasil

Terras em Angola apresentam semelhança com Cerrado brasileiro, segundo adido agrícola do Brasil no país africano (Foto: Alexandre Juca/Unsplash)

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O governo de Angola disponibilizou 60 mil hectares na província de Cuanza-Norte para agricultores brasileiros. O acordo, mediado pelo Ministério da Agricultura do Brasil neste início de 2026, busca usar a tecnologia nacional para transformar o país africano em uma potência na produção de grãos.

O que os produtores brasileiros vão fazer em Angola?

O plano é que investidores e agricultores do Brasil ocupem uma área equivalente a 85 mil campos de futebol para produzir milho, soja e algodão, além de carnes bovina e suína. Angola quer aproveitar o conhecimento brasileiro no plantio em regiões de clima tropical para deixar de depender da importação de comida e passar a ser um país que produz o próprio sustento.

De onde virá o dinheiro para esses projetos?

O investimento inicial previsto é de US$ 120 milhões. O modelo de negócio envolve empréstimos do BNDES para a compra de máquinas e sementes fabricadas no Brasil, além da participação do Banco do Brasil e do Fundo Soberano de Angola. Bancos locais angolanos e os próprios agricultores brasileiros também entrarão com contrapartidas financeiras para cobrir os custos das lavouras.

Por que as terras de Angola interessam tanto aos brasileiros?

A principal razão é a semelhança do solo angolano com o Cerrado brasileiro. No passado, o Cerrado era visto como uma terra pobre, mas o Brasil desenvolveu técnicas para torná-lo um dos lugares mais produtivos do mundo. Como Angola possui cerca de 35 milhões de hectares de terras agricultáveis ainda intocadas, o país é visto agora como a nova grande fronteira agrícola do planeta.

Quais são os riscos envolvidos nessa parceria?

Apesar do otimismo, os produtores enfrentam desafios como a falta de estradas e armazéns em algumas regiões, além de leis diferentes sobre a posse de terra e o funcionamento das empresas. É necessário que o produtor brasileiro adapte seu modo de trabalhar às condições locais da África, lidando com uma infraestrutura que ainda está em fase de construção.

Existe disputa com outros países por essas terras?

Sim, a China também está investindo pesado na agricultura angolana. Enquanto o modelo brasileiro é focado em empresas privadas com apoio do governo, o projeto chinês é comandado diretamente por estatais e foca em garantir o envio de grãos para o próprio mercado chinês. Assim, Angola se torna um palco onde as duas potências do agronegócio testam suas tecnologias e formas de produzir.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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