Publicidade
OCDE

Brasil deve ampliar liderança no agro mundial na próxima década

Colheita de soja em Correntina (BA): relatório da OCDE e da FAO aponta que Brasil será responsável por 61% das exportações globais de soja até 2035
Colheita de soja em Correntina (BA): relatório da OCDE e da FAO aponta que Brasil será responsável por 61% das exportações globais de soja até 2035 (Foto: Sebastião Moreira/EFE)

Ouça este conteúdo

Até 2035, o Brasil deve consolidar ainda mais a posição de protagonista no mercado agrícola global, segundo relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) publicado no final de junho.

As organizações apontam que ao longo da próxima década o país deve responder por 61% das exportações globais de soja, 55% do mercado mundial de açúcar e assumir a liderança nas vendas internacionais de algodão bruto.

A produção brasileira de açúcar de cana deve atingir 50,2 milhões de toneladas até 2035, cerca de 34% da produção global. Em termos de exportação, o país deve manter uma fatia dominante do mercado mundial, com 55% de participação.

Na soja, o Brasil deve ampliar sua produção em 0,7% ao ano até 2035, acima do ritmo dos Estados Unidos (0,5% ao ano), sendo responsável por 61% de todas as exportações globais na próxima década.

“Espera-se que a maior parte do crescimento no esmagamento de soja ocorra na América Latina, em contraste com a década anterior, quando ocorreu principalmente na China”, diz o documento, que aponta o Brasil como um dos líderes nesse processamento doméstico para farelo e óleo.

Outro destaque para o país é a ascensão prevista do setor de algodão, em franca expansão em razão de melhorias na produtividade e aumento de área. O país deve se tornar o maior exportador mundial de algodão bruto até 2035, superando competidores tradicionais no mercado de fibras.

“À medida que o papel do Brasil na produção global de algodão continua a crescer, espera-se que ele permaneça como o maior exportador [de algodão bruto] na próxima década, seguido pelos Estados Unidos”, menciona o relatório.

Brasil protagonista em biocombustíveis na próxima década

O Brasil também é citado como um dos líderes na produção sustentável de energia a partir de biomassa. O país deve manter sua posição como o segundo maior produtor e consumidor de etanol combustível do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Segundo a OCDE e a FAO, o crescimento da produção de biocombustíveis até 2035 será liderado por Brasil, Indonésia e Índia. O relatório destaca que as usinas brasileiras têm flexibilidade para alternar a produção entre açúcar e etanol, dependendo dos preços relativos e do mercado de energia.

Embora a cana-de-açúcar continue sendo a principal matéria-prima para a produção do etanol brasileiro, o uso de milho no setor cresce rapidamente, devendo saltar de 8,2 bilhões de litros em 2025 para 14,5 bilhões de litros em 2035.

Brasil, EUA e UE concentrarão mais da metade das exportações de carnes

No setor de carne bovina, as entidades projetam que o Brasil, junto com Canadá e Estados Unidos, iniciará um ciclo de recomposição de rebanho nos primeiros anos do período de projeção, após fases de liquidação ligadas a secas e baixa lucratividade.

O país permanecerá entre os três maiores exportadores de carne do mundo (ao lado da União Europeia e EUA), que juntos deterão mais da metade das exportações globais.

Tecnologia deve sustentar nova fase do agro brasileiro

Nas perspectivas para a próxima década, o relatório classifica o Brasil como uma nação de renda média em fase de transição, saindo de uma produção intensiva em mão de obra para atividades intensivas em capital e tecnologia.

Segundo os autores, o crescimento da produção dependerá cada vez mais de ganhos de produtividade e intensificação do uso da terra (como a colheita dupla com plantio direto) do que da expansão de novas áreas. O relatório enfatiza investimentos brasileiros em infraestrutura portuária e logística para sustentar o fluxo de exportações.

O documento menciona o país como exemplo de políticas de economia circular e uso de insumos biológicos. "No Brasil, as políticas de bioeconomia incentivaram o uso de subprodutos agrícolas e pesqueiros para produzir combustíveis e biomateriais [...] fomentando a expansão de bioinsumos, como biofertilizantes e fixação biológica de nitrogênio na produção agrícola".

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.