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Para entender

Brasil avança sobre liderança dos EUA no mercado agrícola global

Brasil deve superar EUA neste ano na corrida pela liderança das exportações agrícolas mundiais (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)

O agronegócio brasileiro caminha para assumir o posto de maior exportador mundial de produtos agropecuários ainda em 2026. Após fechar 2025 com faturamento de US$ 169,2 bilhões, o país reduziu drasticamente a diferença para os Estados Unidos, que faturaram US$ 171 bilhões. O avanço é impulsionado por colheitas recordes de soja e milho, além da abertura de centenas de novos mercados internacionais.

Quais fatores permitiram ao agronegócio brasileiro encostar nos Estados Unidos?

A transformação da nossa agricultura é resultado de uma combinação estratégica: expandimos as áreas de plantio, investimos em tecnologia para aumentar a produtividade e consolidamos o modelo de múltiplas safras no mesmo ano, como a segunda safra de milho. Enquanto o Brasil acelerou o volume de embarques, os americanos enfrentaram obstáculos como a valorização do dólar e quedas nos preços internacionais. Além disso, as tensões comerciais entre Washington e Pequim abriram um espaço precioso para os produtos brasileiros ocuparem o mercado chinês, que antes era dominado pelos EUA.

Como o mercado da China influenciou essa disputa pela liderança?

A relação com a China tornou-se estrutural para o Brasil. Em 2025, os chineses compraram US$ 55,3 bilhões em produtos do nosso agronegócio, o que representa quase um terço de tudo o que o setor exportou. Esse valor foi 11% superior ao ano anterior. Por outro lado, as vendas agrícolas dos Estados Unidos para a China despencaram 66% no mesmo período, atingindo apenas US$ 8,4 bilhões. Essa mudança de dependência enfraqueceu o produtor americano, que agora busca novos compradores, enquanto o brasileiro ampliou sua presença no maior consumidor de commodities agrícolas do planeta.

Quais produtos foram os grandes destaques das exportações nacionais?

O complexo de grãos, liderado pela soja, continua sendo o principal motor. Em 2025, o Brasil exportou o recorde de 108,2 milhões de toneladas da oleaginosa. Mas a força brasileira não vem apenas de um item. A pecuária teve um desempenho histórico, com as exportações de carne bovina crescendo quase 40% em valor. Também nos tornamos o terceiro maior exportador mundial de carne suína. Somam-se a isso o café, que teve alta de 30% no faturamento, e o açúcar, setor no qual o Brasil já é o maior exportador global, respondendo por cerca de 23% de toda a produção mundial da commodity.

O Brasil depende apenas da China para continuar crescendo?

Apesar da importância do gigante asiático, o Brasil adotou uma estratégia de diversificação de destinos para reduzir riscos. Nos últimos anos, foram abertos 664 novos mercados para os nossos produtos agropecuários. Essa rede ampla de compradores funciona como um seguro: quando um país impõe restrições por questões sanitárias, como ocorreu em episódios de influenza aviária, o setor tem agilidade para direcionar a produção para outros parceiros. Essa capacidade de adaptação permitiu que o agronegócio nacional encerrasse 2025 com recordes, mesmo enfrentando desafios globais.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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