Para o coordenador da Expedição Safra, Giovani Ferreira, o consumo interno vai continuar sendo pequeno perto do nosso imenso potencial de exportação. | Lineu Filho/Gazeta do Povo
Para o coordenador da Expedição Safra, Giovani Ferreira, o consumo interno vai continuar sendo pequeno perto do nosso imenso potencial de exportação.| Foto: Lineu Filho/Gazeta do Povo

O Brasil precisa tomar com mais fôlego a frente da comercialização de sua safra para aproveitar a crescente demanda internacional pelas commodities agrícolas. A conclusão foi do seminário Expedição Safra, no distrito de Nova Santa Rosa, no município de Uruçuí, estado do Piauí. O evento, que reuniu cerca de 80 pessoas na noite desta quinta-feira (16), teve duas palestras que desenharam um panorama completo sobre a produção de grãos. Entre os temas tratados estiveram os desafios do mercado em ano de safra cheia, o panorama da demanda mundial, câmbio, preço de terras e áreas de expansão agrícola para os próximos anos.

Cerca de 80 pessoas participaram do seminário da Expedição Safra.Lineu Filho/Gazeta do Povo

O gerente do Agronegócio Gazeta do Povo e coordenador da Expedição Safra, Giovani Ferreira, enfatizou que o Brasil não pode ocupar um posto passivo no mercado financeiro. “Não podemos esperar que o mercado nos compre, precisamos de estratégia para comercializar”, disse. Ele citou o caso do milho, que em 2015 chegou a atingir o volume de 30 milhões de toneladas exportadas, mas que no ano passado despencou para 20 milhões de toneladas. “Precisamos aumentar nosso potencial doméstico? Sim, mas mesmo crescendo, o consumo interno vai continuar sendo pequeno perto do nosso imenso potencial de exportação”, reforça.

O economista João Macedo, da consultoria INTL FCStone, afirma que o Brasil tem a maior capacidade do mundo em áreas de expansão agrícola .Lineu Filho/Gazeta do Povo

Ferreira também trouxe aos participantes as últimas informações de mercado que foram adiantadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Ele revelou que a agricultura dos EUA terá a menor área cultivada em sete anos e que isso possibilita a leitura de que o agronegócio lá (em termos de área) está estagnado. Isso, aliado ao protecionismo do novo presidente, Donald Trump, e expectativas de estabilidade no câmbio, formam um cenário positivo para 2017/18 no Brasil. “Tenho certeza que para nós vai ser bom o que está acontecendo com o mercado americano”, cravou.

Expansão de áreas no Brasil

O economista João Macedo, da consultoria INTL FCStone (parceira da Expedição Safra e também na promoção do seminário em Uruçuí), foi o segundo palestrante da noite. Um dos principais aspectos da fala dele foi o diagnóstico de que o país tem a maior capacidade do mundo em áreas de expansão agrícola. Segundo o especialista, as terras brasileiras para abertura têm preços baixos comparados com o resto do mundo. “O Brasil é o único com capacidade ‘ilimitada’ de crescimento na produção de grãos e é o país que melhor se coloca no suprimento do aumento da demanda mundial”, falou.

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