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A excelência da soja em Minnesota contrapõe até mesmo o último relatório do USDA, que estimou produção e produtividade abaixo da média norte-americana. | Flávio Bernardes/Gazeta do Povo
A excelência da soja em Minnesota contrapõe até mesmo o último relatório do USDA, que estimou produção e produtividade abaixo da média norte-americana.| Foto: Flávio Bernardes/Gazeta do Povo

Imagine produzir quase 50% a mais do que o rendimento médio nacional de 58,27 sc/ha, que já é considerada alto. Não é à toa que o produtor Mike Riley anda tão sorridente. Ele tem uma fazenda em Amboy, região Sul de Minnesota, estado mais ao Norte do Corn Belt, o Cinturão do milho nos Estados Unidos. Já encerrou a colheita da oleaginosa e comercializou 75% da produção. Em pouco mais de 400 hectares dedicados à soja, conseguiu tirar do campo 85 sacas ou 5.100 quilos/hectare.

  • Com colheita acima da média, produtores estocam milho onde dá, nem que seja ao ar livre
  • Ao todo, Mike Riley cultiva 850 hectares entre milho e soja. Para ele, 90% do sucesso na produtividade com a soja vêm do clima.
  • Já no caso do milho, as chuvas atrapalharam, ainda assim a produtividade ficou em quase 50 sc/ha acima da média nacional.
  • Ao todo, Minnesota deve colher 37,79 milhões de toneladas de milho e 10,06 milhões de toneladas de soja, respondendo, respectivamente, por 9,8% e 8,65% da produção dos EUA.
  • A Expedição Safra visitou até agora 3 estados norte-americanos. As próximas paradas são Iowa e Indiana, no Corn Belt, o cinturão do milho dos EUA.

O crescimento vertical, no exemplo do produtor de Amboy, é um dos fatores determinantes para safra recorde esperada nos EUA. Segundo o USDA, o departamento de agricultura do país, a produtividade média das lavouras cresceu 3% no milho e 7% na soja. Uma variação a princípio relativamente pequena, mas que ganha proporções expressivas quando aplicada em uma base relevante. Em volume, a combinação entre aumento e área e rendimento adicionam 50 milhões de toneladas de grãos à safra nacional de soja e milho.

A excelência da soja em Minnesota contrapõe até mesmo o último relatório do USDA, que estimou produção e produtividade abaixo da média norte-americana. “Por enquanto são apenas previsões. Só vamos saber no final da colheita. Mas todos os agricultores com os quais eu conversei disseram que a produtividade está muito boa”, afirma Kim Nill, diretor de mercado da Minnesota Soybean Association, entidade que representa sojicultores da região. De acordo com a associação, a maioria das propriedades do estado está na faixa de 67 sacas ou 4.020 quilos/ha.

Diretor da Minnesota Soybean, Kim Nill, diz que o estado aumentou um pouco as exportações para a China, a produção de biodiesel e a produção de carne.

No caso do milho, entretanto, o clima fez às vezes de “vilão” – ou “bad guy” –, como se costuma dizer por aqui. As mesmas chuvas que ajudaram no desenvolvimento da soja acabaram prejudicando o cereal. Contudo, uma avaliação pontual, que também é relativa. Porque ainda assim, Mike conta que apesar da ligeira queda na comparação com o ano passado, a produtividade em sua lavoura chegou a 238 sacas ou 14.280 quilos/ha, 30% a mais que a média do país. “Nós perdemos um pouco de milho”, diz. “Tivemos muita umidade, o que é muito bom para a soja, mas no caso do milho empobrece a qualidade da lavoura em muitos pontos”, explica.

Com o recorde previsto, a preocupação em Minnesota tem nome e não muda muito em relação aos outros estados: preço. Eles, porém, se mostram mais otimistas. “Nós conseguimos aumentar um pouco as exportações para a China, a produção de biodiesel e a produção de carne. Separadas, essas medidas podem não representar muito, mas juntas ajudam a melhorar o cenário”, pontua o diretor da Minnesota Soybean, Kim Nill.

No campo, Mike Riley acredita que a produtividade vai compensar cotações mais baixas. “Não se pode ter tudo”, brinca. Com a safra maior, as cotações não tem espaço para decolar. Contudo, apesar do volume maior em relação à temporada passada, as cotações estão mais valorizadas para esta época do ano na comparação com o mesmo período de 2015. Acima e abaixo de US$ 9/bushel, respectivamente.

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