Expedição Safra

Após maior safra da história, Uruguai ‘leva tombo’ do clima

Assim como a Argentina, o país está enfrentando uma das piores crises hídricas da última década

Jonathan Campos/Gazeta do Povo Segundo o engenheiro agrônomo José García, da empresa de insumos Solaris, as chuvas neste ciclo foram esparsas e em volumes aquém do esperado. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Segundo o engenheiro agrônomo José García, da empresa de insumos Solaris, as chuvas neste ciclo foram esparsas e em volumes aquém do esperado.

Mercedes (UY) |

  • Gabriel Azevedo, enviado especial

Na safra passada, o pequeno Uruguai fez história ao produzir 3,3 milhões de toneladas de soja, volume que pode não parecer expressivo quando comparado com Brasil, Argentina e até mesmo o Paraguai, mas que é significativo quando lembramos que o país tem apenas 3,3 milhões de habitantes (mesma quantidade de pessoas que vive somente na Região Metropolitana de Curitiba), numa área de área de 177 mil km² (menor que o Paraná, estado que tem 199 mil km²).

Neste ano, no entanto, o país não vai passar nem perto dos resultados obtidos no ciclo anterior. Assim como a Argentina, o Uruguai está enfrentando uma das piores crises hídricas da última década. Embora tenha semeado basicamente a mesma área de 2017, 1 milhão de hectares, a produção não vai ultrapassar a marca dos 2,2 milhões de toneladas de oleaginosa.

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Segundo o engenheiro agrônomo José García, da empresa de insumos Solaris, as chuvas neste ciclo foram esparsas e em volumes aquém do esperado. “Temos regiões em que as lavouras receberam 70 mm e outras, do lado, que não receberam nada. É uma disparidade bem grande”, afirma. “Mas de uma maneira geral, faltou chuva no país”, conta. No ano passado, a produtividade média do país foi de 3.026 quilos por hectare. Nesta safra, a média deve ficar em 2 mil kg por ha.

O produtor John Hogben, que cultiva 1,5 mil hectares em Mercedes, na região Oeste do Uruguai, diz que o sol pode até ser muito bom para curtir as férias em Punta del Este, mas não é nada bom para o agricultor e para economia do país. “Daqui a pouco, a gente vai ter que pagar para trabalhar”, diz. “Com essa colheita, muita gente não conseguir continuar com a atividade”, completa.

Atualmente, 60% da produção agrícola uruguaia estão em propriedades arrendadas, o que aumenta substancialmente os custos. Aliás, no início do ano, agricultores de diferentes regiões do país fizeram um grande protesto contra o governo federal, incluindo a paralisação de rodovias. “O governo nos taxa de diferentes maneiras, na produção, na exportação, no combustível, que é um dos mais caros do mundo, e não oferece nada em troca. Além disso, as regras de arrendamento não dão segurança”, diz o produtor David Mazza, que planta 2,5 mil hectares na cidade de Young.

Apesar das críticas dos produtores, o governo de Tabaré Ramón Vázquez pouco fez em relação às demandas do campo. Estimativas iniciais apontam que a produção de trigo no país vai cair 160 mil toneladas nesta safra, para 600 mil t. “O produtor está desmotivado. É preciso estar muito bem preparado para enfrentar um ano como esse. Não temos crédito especial, auxílio nenhum. Se não houver planejamento, quebra”, afirma John Hogben.

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