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pós-greve

Qual o risco de alimentos estragados chegarem ao consumidor?

Cadeia de distribuição tem vários mecanismos para evitar venda de alimentos deteriorados; vigilância sanitária e supermercados redobram atenção na recepção dos produtos

Arquivo/Gazeta do Povo Supermercados garantem que podem detectar qualquer mudança de qualidade dos alimentos na recepção | Arquivo/Gazeta do Povo

Supermercados garantem que podem detectar qualquer mudança de qualidade dos alimentos na recepção

  • Marcos Tosi

Durante a greve dos caminhoneiros, milhares de toneladas de alimentos perecíveis estragaram nas rodovias brasileiras, após ficarem dias seguidos retidas nos bloqueios rodoviários. Com o gradual retorno à normalidade, tem gente com receio de que, ao comprar carnes e lácteos, acabe levando produto estragado para casa.

Que garantias existem de que isso não venha a ocorrer?

A coordenadora da Vigilância Sanitária de Curitiba, Francielle Narloch, lembra que existe uma ação coordenada em todas as etapas, da produção ao consumo, para certificar que apenas alimentos saudáveis cheguem à mesa do consumidor. Mas isso não dispensa cuidados adicionais: “É bom verificar a data de validade adequada e a condição do produto. Não se deve comprar nada que esteja em desacordo com a rotulagem. Ou seja, se é resfriado, tem que estar resfriado e não congelado, e se no rótulo estiver ‘congelado’, não pode ser vendido na forma de resfriado”.

A responsabilidade pela qualidade dos alimentos, e sua fiscalização, passa por pelo menos três instâncias. No caso das carnes, a responsabilidade é do produtor até a entrega ao frigorífico. Ali, a indústria assume os cuidados e a fiscalização é dos fiscais agropecuários. Depois, os açougues e supermercadistas respondem pelo produto, enquanto a vigilância sanitária assume a fiscalização.

“O produto à base de carne que sai dos frigoríficos, se for in natura, sem congelamento, tem de estar em temperatura entre 1 e 7 graus. Se for congelado, a temperatura deve ser de pelo menos 16 graus negativos”, diz Inácio Kroetz, diretor da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

Carne melada

Kroetz assegura que cada elo da cadeia tem os olhos bem abertos para não deixar passar gato por lebre. “Os fiscais e os compradores detectam qualquer irregularidade. Chamamos isso de carne melada. Ela tem sinais de descongelamento ou perda de frio. Esse produto vai ser rejeitado na recepção”, assegura.

As cooperativas paranaenses, que produzem quase 60% dos alimentos consumidos no estado, garantem que todos os cuidados foram tomados desde o primeiro dia de paralisação. “Cessamos os abates para manter os produtos congelados na temperatura ideal, para não comprometer em absoluto o aspecto sanitário. Não tenho dúvida nenhuma sobre a qualidade dos produtos que estão nos frigoríficos das cooperativas”, diz José Roberto Ricken, presidente da Ocepar.

Para não correr riscos de receber alimentos em fase de deterioração, sejam produtos cárneos, lácteos ou hortifrútis, os supermercados redobraram a atenção com a greve dos caminhoneiros. “O momento é diferenciado. Temos alertados nossos associados para que intensifiquem o trabalho de fiscalização. A própria vigilância sanitária já entrou em contato conosco. Não existe interesse nenhum, num ambiente de forte concorrência, com mais de 4.600 lojas no Paraná, de oferecer um produto sem qualidade ao consumidor”, afirma Valmor Rovaris, diretor da Associação Paranaense dos Supermercados (Apras).

Além de manter o trabalho regular de inspeção no comércio varejista, a Vigilância Sanitária de Curitiba informou que, caso haja suspeita de alimento estragado estar sendo oferecido ao consumidor, os fiscais poderão ser acionados pelos telefones 156 e 0800-6440041.

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