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Carnes

Governo endurece a relação com a JBS

A decisão do BNDESPar, que detém 20,36% de fatia da companhia, a maior processadora de carnes do mundo, sinaliza uma mudança de postura do atual governo de desconstruir a política de empresas “campeãs nacionais”

Com essa decisão, as ações ordinárias (com direito a voto) da empresa, que chegaram a cair mais de 20% durante o pregão desta quarta-feira, 26, encerraram o dia com queda de 11,45%. | Divulgação/JBS
Com essa decisão, as ações ordinárias (com direito a voto) da empresa, que chegaram a cair mais de 20% durante o pregão desta quarta-feira, 26, encerraram o dia com queda de 11,45%. (Foto: Divulgação/JBS)

O braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar) vetou a reorganização societária em curso pelo grupo JBS, dono da Friboi, que pertence à família Batista. A decisão do BNDESPar, que detém 20,36% de fatia da companhia, a maior processadora de carnes do mundo, sinaliza uma mudança de postura do atual governo de desconstruir a política de empresas “campeãs nacionais”, marca da gestão petista.

As mudanças no comando do BNDES, com a chegada de Maria Silvia Bastos Marques à presidência, podem ter influenciado a decisão do BNDESPar, de barrar a reestruturação societária da JBS. Em maio, o grupo anunciou a criação da JBS Foods International, que teria sede na Irlanda e seria ações listadas na Bolsa de Nova York.

Em nota, o BNDESPar informou que vetou a operação porque não a considerou como a alternativa que melhor atende aos interesses da companhia e de seus acionistas. Ainda de acordo com o comunicado, a reorganização proposta, ao prever a transferência da propriedade de ativos que representam cerca de 85% da geração do caixa da JBS para uma companhia estrangeira, implicaria na desnacionalização da empresa.

Com essa decisão, as ações ordinárias (com direito a voto) da empresa, que chegaram a cair mais de 20% durante o pregão desta quarta-feira, 26, encerraram o dia com queda de 11,45%, a R$ 10,44 na BM&FBovespa. Analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, afirmaram que a decisão coloca dúvidas sobre o futuro da empresa.

O JBS, que fatura R$ 163 bilhões, ao lado da operadora Oi (em recuperação judicial), foi um dos grupos beneficiados pela política de incentivo do governo para criar campeãs nacionais. No ano passado, a holding J&F, da família Batista, anunciou a compra da Alpargatas, que pertencia a Camargo Corrêa, envolvida na Lava Jato, por R$ 2,7 bilhões. A aquisição foi financiada pela Caixa. Em junho, a Eldorado, do setor de celulose, que pertence à família, foi um dos alvos da nova operação da Lava Jato, por suposto envolvimento em pagamento de propina para obtenção de recursos do FI-FGTS. A empresa nega qualquer irregularidade.

Sob a gestão do ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ligado ao PT, o conselheiro do banco no JBS, João Carlos Ferraz, foi um dos maiores defensores da política de apoio à globalização de empresas nacional. Em agosto, Ferraz foi substituído pela advogada Claudia de Azeredo Santos.

Outras possibilidades

Em conversa com analistas hoje, o presidente do JBS não descartou que a decisão do banco pode estar ligada às mudanças recentes na sua gestão. O executivo pontuou que o grupo vai analisar novas alternativas para gerar valor para seus acionistas e não descartou a possibilidade de novas ofertas iniciais de ações (IPOs, em inglês), por meio das plataformas da companhia em outros países.

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