Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Indigesto

Três empresas são interditadas por fraude em leite e derivados

Laticínios ficam no Rio Grande do Sul e usavam leite vencido para fabricar creme de leite e outros derivados; quatro pessoas foram presas e uma está foragida

De acordo com o ministério, as empresas recebiam leite vencido e, além do próprio leite em caixinha, fabricavam creme de leite a granel e outros derivados. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
De acordo com o ministério, as empresas recebiam leite vencido e, além do próprio leite em caixinha, fabricavam creme de leite a granel e outros derivados. (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo)

Três indústrias de laticínios no Rio Grande do Sul foram interditadas pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

De acordo com o ministério, as empresas recebiam leite vencido e, além do próprio leite em caixinha, fabricavam creme de leite a granel e outros derivados. A análise do laboratório especializado do Mapa comprovou que os produtos já estavam apodrecendo em virtude dos níveis de acidez. Ao todo, os fiscais federais agropecuários proibiram a comercialização de 9,1 mil kg de creme de leite industrial.

Conforme as investigações, as mercadorias eram repassadas a outros clientes, entre eles uma grande rede de supermercados. O leite dessa rede ainda vai ser analisado, para saber se está de acordo com os padrões de qualidade para consumo.

As fábricas – Laticínios Modena, Laticínios Princesul e Laticínios Rancho Bello - ficam nos municípios de Travesseiro, Nova Araçá e Casca. Quatro pessoas foram presas preventivamente pelo Ministério Público gaúcho e uma está foragida. A medida é resultado da 12ª Operação Leite Compen$ado, do MP-RS, que começou em outubro do ano passado.

A interdição vale até que os problemas sejam corrigidos. O leite, saliente o MP, era comprado de produtores da região, mas não ficou identificada participação deles na fraude.

O esquema

Segundo o Ministério Público, uma das práticas era adicionar água para que o creme de leite duro, já amanteigado, fosse novamente amolecido e misturado a outras cargas em condições melhores. Os laudos feitos pelas próprias empresas eram mascarados, afirma o MP, para que tanto a fiscalização quanto os compradores não visualizassem os problemas.

“Uma organização criminosa se instalou na região para fraudar o produto, especialmente na recuperação de leite já impróprio para consumo”, diz o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Mauro Rockenbach, que participou da operação. Segundo o promotor Alcindo Bastos, também do Gaeco, foram localizadas 5 toneladas de queijo na Princesul, que haviam sido devolvidos por um laticínio de Maceió (AL). “Os queijos estavam vencidos, impróprios, totalmente sem padrão, e a devolução de produto era algo comum, já que a própria rede de supermercados devolveu muitas cargas em virtude de problemas com embalagem ou azedos, mesmo dentro da validade”, salienta.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.