
A escalada de tensão no Oriente Médio fez o preço do petróleo disparar, provocando falta de diesel e aumento de custos no campo brasileiro. Produtores rurais relatam dificuldades para abastecer máquinas em plena colheita de soja e arroz, apesar de órgãos oficiais negarem o desabastecimento.
Qual a relação entre o conflito no Oriente Médio e o diesel no Brasil?
O Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. Isso fez o preço do barril Brent subir mais de 30% em poucos dias. Como o Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel que consome, essa instabilidade internacional encarece o produto aqui e gera incerteza nas distribuidoras, que seguram estoques temendo novos aumentos ou falta de produto.
Como a produção agrícola está sendo afetada?
O problema atinge estados como Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso justamente no pico da colheita de arroz e soja. Produtores relatam que revendedores pararam de entregar combustível ou limitaram as quantidades. Sem diesel, as colheitadeiras e tratores ficam parados, o que pode estragar a produção no campo e atrasar o plantio da próxima safra, colocando em risco a produtividade e os preços dos alimentos.
O que dizem os órgãos oficiais e a Petrobras sobre a crise?
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Petrobras negam que haja falta física de combustível. A ANP afirma que os estoques são suficientes para o abastecimento regular. No entanto, representantes do setor de distribuição afirmam que a Petrobras cortou em até 30% o volume previsto para entrega em abril em certas refinarias, como a de Araucária, no Paraná.
Quais medidas o governo federal tomou para conter os preços?
O governo anunciou a isenção de impostos federais (PIS e Cofins) sobre o diesel e uma ajuda financeira (subvenção) para importadores e produtores. O objetivo é tentar absorver parte da alta internacional para que o preço não suba tanto nas bombas. Especialistas alertam, porém, que essas medidas são políticas e não resolvem o problema logístico da falta do produto no mercado.
Qual a alternativa proposta pelas entidades do agronegócio?
Entidades pedem que o governo aumente imediatamente a mistura de biodiesel no diesel comum de 15% para 17%. O biodiesel é feito a partir de plantas e gordura animal no Brasil. O argumento é que usar mais combustível produzido internamente reduz a dependência de importações e ajuda a manter a segurança energética do país em momentos de crise externa.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









