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Para entender

Por que a produção de cevada cresce no Brasil apesar do alerta na indústria?

Colheita de cevada (Foto: Almir Junior/Cooperativa Agrária)

O cultivo de cevada avança no Brasil, impulsionado por investimentos no Paraná e novas tecnologias. No entanto, a indústria cervejeira acende o sinal de alerta devido à queda no consumo de bebidas alcoólicas, especialmente entre os jovens da Geração Z, o que exige cautela dos produtores.

Como está o cenário atual da produção de cevada no Brasil?

O país produz entre 400 mil e 500 mil toneladas por ano, com o Paraná liderando o setor. Embora a produção nacional venha crescendo graças ao apoio de cooperativas e avanços em pesquisas genéticas, o Brasil ainda precisa importar cerca de 30% da cevada para atender à demanda das maltarias, que transformam o grão em malte para a fabricação de cerveja.

Por que a indústria cervejeira está preocupada com o consumo?

Pesquisas indicam uma mudança de comportamento, principalmente na Geração Z (nascidos entre o fim de 1990 e início de 2010). No último ano, mais da metade dos jovens entre 18 e 24 anos não consumiu álcool. Essa tendência de abstinência desaquece o mercado e faz com que grandes empresas, como Heineken e Ambev, repensem o ritmo de novos investimentos.

Qual é a importância da região dos Campos Gerais para esse setor?

A região, especialmente a cidade de Ponta Grossa, tornou-se um polo industrial gigante. Lá está instalada a maior maltaria do país, com investimento de R$ 1,6 bilhão, além de fábricas da Ambev e a terceira maior cervejaria da Heineken no mundo. Esses complexos industriais são os principais motores que incentivam o agricultor a plantar cevada no campo.

Existem alternativas para a cevada além da fabricação de cerveja?

Sim. Para reduzir a dependência das cervejarias, o setor estuda ampliar o uso da cevada na alimentação humana, em produtos integrais e funcionais, e na alimentação de animais (mercado forrageiro). Também há pesquisas para aplicações industriais e energéticas do cereal, o que pode garantir mercado para o produtor mesmo com a queda no consumo de bebidas.

O Brasil pode se tornar autossuficiente na produção desse grão?

Especialistas acreditam que sim. Com a expansão do cultivo para novas regiões e a melhoria da qualidade do grão nacional através de pesquisas, a meta é parar de depender das importações, principalmente da Argentina. A expectativa é que o Brasil atinja a autossuficiência no médio prazo, desde que o mercado consumidor se mantenha estável.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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