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Brasil enfrenta gargalos na manutenção e revenda de carros elétricos

Montadora chinesa BYD iniciou a produção de veículos eletrificados em Camaçari (BA), onde já foi a fábrica da Ford (Foto: Eduardo Andrade / Ascom SDE-BA )

O mercado automobilístico brasileiro registra um aumento veloz na circulação de veículos elétricos, impulsionado por marcas chinesas. No entanto, a experiência de países como China, Estados Unidos e nações europeias sinaliza que o Brasil deve se preparar para novos desafios nos próximos anos. O foco agora se volta para os impactos do envelhecimento da frota e a necessidade de infraestrutura.

Como a rápida evolução tecnológica afeta o valor de revenda dos usados?

A velocidade com que novas tecnologias são incorporadas e o lançamento de modelos zero-quilômetro mais baratos geram uma pressão forte sobre os preços dos seminovos. Na China, um carro elétrico com três anos de uso retém apenas cerca de 42% do seu valor original, um índice inferior ao do mercado de combustão. Isso ocorre porque baterias mais eficientes e baratas chegam ao mercado constantemente, tornando os modelos antigos menos atrativos. Muitos lojistas chineses já começaram a recusar veículos elétricos com mais de cinco anos, antecipando uma desvalorização ainda maior.

Qual é a situação das oficinas brasileiras para atender essa nova frota?

Diferente dos carros tradicionais, o elétrico demanda menos peças mecânicas, mas exige especialistas em sistemas de alta tensão e eletrônica avançada. No Brasil, o cenário é de despreparo: cerca de 99% das oficinas independentes ligadas ao Sindirepa-PR ainda não possuem equipamentos ou treinamento para lidar com híbridos e elétricos. Sem uma rede de reparos qualificada fora das concessionárias, o custo de manutenção tende a subir, dificultando a vida do proprietário que precisa de reparos após o período de garantia ou em regiões distantes dos grandes centros.

O desgaste da bateria realmente compromete a autonomia do veículo?

Sim, as baterias sofrem uma degradação natural ao longo do tempo. Estudos indicam que essa perda de capacidade gira em torno de 2,3% ao ano, podendo chegar a 3% se o motorista utilizar com frequência carregadores rápidos de corrente contínua. Para quem compra um usado, saber o estado real da saúde da bateria é crucial, pois isso determina a distância que o carro consegue percorrer sem recarregar. O Brasil ainda precisa desenvolver uma cadeia eficiente para o diagnóstico, reaproveitamento dessas células em outras funções e, por fim, a reciclagem correta dos materiais.

De que forma o peso dos elétricos impacta as vias e a arrecadação pública?

Os carros elétricos, especialmente os SUVs, são significativamente mais pesados por causa das grandes baterias necessárias para garantir autonomia. Esse peso extra aumenta o desgaste do asfalto, elevando o custo de manutenção de ruas e rodovias. Além disso, há um desafio fiscal: como boa parte do dinheiro usado para conservar estradas vem dos impostos embutidos na gasolina e no diesel, o aumento da frota elétrica reduz essa arrecadação. No Brasil e na China, já se discute a criação de taxas ou impostos específicos para donos de elétricos como forma de compensar essas perdas.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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