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Quando as marcas chinesas começaram a chegar ao Brasil com muita agressividade, as marcas tradicionais tentaram criar um escudo de proteção para que não fossem prejudicadas pelas novas tecnologias e pelos incentivos oferecidos pelo governo à importação de carros. Os pátios dos portos brasileiros se encheram de carros novos e continuam assim até hoje. A primeira a chegar, anos atrás, foi a Chery, mas em parceria com a Caoa, que passou a fabricar seus modelos no Brasil, modelo que é bem aceito pelo mercado.
Mas a onda chinesa começou mesmo com a BYD, que chegou de forma acanhada, aproveitando a estrutura que já tinha aqui na produção de outros equipamentos. Depois veio a GWM, que logo de cara comprou uma fábrica de automóveis da Mercedes que estava desativada. Hoje, as duas marcas já montam alguns modelos por aqui.
A tradicional indústria automotiva brasileira passou a se defender dos importados. As montadoras tiveram que acordar para a realidade e modernizar seus carros, mas isso demanda tempo, enquanto os chineses já chegavam com seus carros prontos e modernos. O brasileiro passou a gostar disso porque via à sua frente uma infinidade de marcas, modelos e versões de automóveis que nunca tinha visto antes, com preços competitivos. As montadoras que já estavam por aqui trataram de melhorar seus produtos, trazer novas tecnologias e hoje conseguem enfrentar melhor os chineses, mas mesmo assim continuam perdendo mercado. A BYD, por exemplo, já chegou a passar a Volkswagen em algumas praças onde a marca alemã era líder. E olha que a Volkswagen é a que mais tem conseguido enfrentar essa concorrência, em virtude de bons lançamentos que fez nos últimos tempos. Imagine o sofrimento das outras.
Quem fica e quem volta?
Mas esta briga pelo mercado e pelos compradores não é mais entre as antigas que já estavam instaladas aqui e as novas chinesas. A briga agora está entre os próprios chineses, que estão trazendo cada vez mais carros, aproveitando as regras do governo que beneficiam as importações. A concorrência entre as orientais está cada vez mais acirrada e agora a pergunta é se todas continuarão no Brasil. A aposta é que grande parte vai voltar para sua terra, porque o mercado brasileiro não comporta tantas marcas. E essa profusão de fabricantes de carros está preocupando até as autoridades chinesas, que já anunciaram que vão criar um programa para reduzir o número de montadoras naquele país. Com isso, apenas as mais consolidadas vão continuar.
E aqui no Brasil, como isso vai ficar? Três chinesas estão se destacando e já construindo seus automóveis por aqui, ou pelo menos montando-os com partes vindas da China. A primeira foi a GWM, que já faz vários modelos em sua fábrica no interior de São Paulo e anunciou uma nova fábrica no Espírito Santo. Mas na China a GWM não é grande. É uma das menores. É preciso ver como ficará por lá. Outra que também investe na produção local é a BYD, que ocupa a antiga fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia. Apesar dos inúmeros problemas que tem enfrentado com os trabalhadores na construção, incluindo denúncias do Ministério Público do Trabalho, já monta modelos vendidos no Brasil e alguns com tecnologia nacional. A BYD é a marca mais agressiva no mercado. Utiliza o marketing de guerra e, com isso, tem conseguido vender muito, já superando marcas tradicionais em alguns mercados, principalmente no Nordeste.
O pulo do gato da Geely
Mas a BYD tem enfrentado uma concorrência acirrada de outra chinesa, a Geely, que veio muito estruturada e teve como pulo do gato a compra de 26% da fábrica da Renault no Paraná, onde já começou a produzir seus carros. Aproveita toda a estrutura de logística, distribuição e pós-vendas consolidada da Renault e seus modelos são totalmente montados na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, desde a soldagem da carroceria e a pintura, com muitos componentes nacionais. A Geely acertou nos modelos que trouxe para o Brasil e que agora passa a fabricar aqui: o EX E-MI, SUV familiar e híbrido, e o compacto EX2, totalmente elétrico, que já é um sucesso de vendas.
Mas o mercado brasileiro para os carros de origem chinesa não para nessas duas marcas. Neste ano serão mais de 130 lançamentos de novos carros no Brasil. E, no final das contas, são muitos modelos parecidos, mas de marcas diferentes. Com isso, vai depender da habilidade da concessionária convencer o cliente de que seu carro é melhor do que o do vizinho.
Leapmotor lança o B10 ultra híbrido
A Leapmotor, do grupo Stellantis e que também vai fabricar no Brasil, acaba de lançar por aqui o seu híbrido B10. Já tinha o C10, SUV maior, tanto elétrico quanto híbrido, e agora chega o B10 híbrido, que antes era oferecido apenas na versão elétrica.
O B10 Ultra-Híbrido é equipado com um motor elétrico traseiro de 218 cv e 240 Nm, associado a uma bateria de 18,8 kWh. Sob o capô está um gerador a gasolina, projetado exclusivamente para recarregar o carro e alimentar o propulsor elétrico, com gerenciamento totalmente eletrônico. Seu pacote de itens de segurança é igual ao da versão elétrica, com destaque para os sete airbags (incluindo uma bolsa central entre os bancos dianteiros, exclusiva do segmento) e condução semiautônoma (ADAS) nível L2 por meio do Leap Pilot.
O estilo do B10 Ultra-Híbrido carrega todo o DNA presente nos modelos da Leapmotor. À frente, a iluminação totalmente de LED adota um conjunto triplo, com a peça superior reunindo as funções de luz de posição, DRL e indicadora de direção, enquanto o farol baixo e o alto ficam no elemento central e, na parte inferior, ficam as luzes auxiliares de neblina. Toda a iluminação do B10 Ultra-Híbrido é automática e adaptativa, ajustando as condições de iluminação conforme a luminosidade externa, clima e até a presença de tráfego à frente, evitando ofuscamentos.
Omoda e Jaecoo trazem um híbrido e um elétrico
Ao mesmo tempo que a Leapmotor lançou o B10 Ultra-Híbrido, no mesmo dia, a Omoda e Jaecoo apresentou seu mais novo modelo para o Brasil e principal lançamento da marca neste ano, o Jaecoo 5 em duas versões: Comfort, por R$ 154.990, e Prestige, por R$ 179.990. Equipado com a tecnologia Super Hybrid System (SHS-H), o modelo reforça a estratégia da companhia de democratizar o acesso à eletrificação, combinando eficiência energética, desempenho e tecnologia em um dos segmentos mais competitivos do mercado nacional.

O Jaecoo 5 será o quinto modelo vendido pela marca no Brasil. O lançamento também reforça a expansão da operação do Chery International Group no País, que prevê a chegada das marcas iCAUR e LEPAS ao mercado brasileiro em 2027, além da futura comercialização dos produtos da divisão de robótica e robôs humanoides AiMOGA.
O principal destaque do modelo é o Super Hybrid System (SHS-H), tecnologia híbrida plena desenvolvida pelo grupo Chery que dispensa carregamento externo. O conjunto combina um motor 1.5 TGDI turbo a gasolina com um motor elétrico de alta eficiência, integrados a uma transmissão híbrida dedicada 1DHT e a uma bateria LiFePO4 de 1,83 kWh, recarregada automaticamente durante a condução por meio da regeneração de energia e da atuação do motor a combustão, eliminando a necessidade de infraestrutura de recarga externa. A potência combinada chega a 224 cv, com torque de 30,1 kgfm, posicionando o Jaecoo 5 como o SUV compacto híbrido mais potente do Brasil.
Outro modelo da marca lançado simultaneamente foi o Omoda E5, este totalmente elétrico. A nova versão do modelo combina evolução visual e mecânica. O destaque é o novo motor elétrico síncrono de ímã permanente, que entrega até 155 kW de potência, equivalente a 210 cv. Com torque instantâneo, característica dos veículos elétricos, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos e sua eficiência é de até 98,5%.
O novo E5 vem com duas opções de bateria, de 50,6 kWh ou 60,9 kWh. Dependendo da configuração, o sistema suporta carregamento rápido em corrente contínua (DC) de 110 kW a 130 kW, permitindo recuperar de 30% a 80% da carga em até 16 minutos. O conjunto elétrico é complementado pela suspensão dianteira McPherson e traseira independente multilink, configuração que busca equilibrar conforto e estabilidade durante a condução.
No interior, o Omoda E5 recebeu um novo cockpit, com formas geométricas, acabamentos soft-touch e nova disposição do painel e da central multimídia. Os bancos dianteiros contam com aquecimento, ajustes elétricos e ventilação, enquanto o banco do motorista também oferece função de massagem.
Entre os equipamentos estão ar-condicionado digital automático dual zone, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, iluminação ambiente customizável, painel digital de instrumentos de 8,88 polegadas e central multimídia touchscreen de 15,6 polegadas. Essa versão também oferece comandos de voz para diversas funções.
*Antonio Carlos da Silva é jornalista especializado na cobertura do mercado automobilístico e parceiro de conteúdo da Gazeta do Povo. As opiniões e análises expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a visão do jornal.




