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Até a pandemia de Covid 19, os salões de automóveis espalhados pelo mundo eram celebrados como os grandes eventos para a apresentação de novos modelos de carros, principalmente os europeus que dividiam seus eventos entre os anos pares, em Paris e anos impares, em Frankfurt. E todos os anos tinha ainda o de Genebra, o mais neutro de todos onde as marcas mostravam seus carros mais icônicos.
Mas com a pandemia, todos os salões foram suspensos e começaram a voltar, muito acanhadamente, a partir de 2022, exatamente com Paris, na época muito incentivado pela Renault, que praticamente bancou o evento sozinha. Genebra também voltou, mas muito fraco e hoje já não existe mais. O de Frankfurt também acabou de vez e hoje a Alemanha realizada salões menores, as vezes em Berlin, as vezes em Munique.
Mas Paris continuou insistindo e novamente em 2024 realizou o evento, ainda muito restrito a marcas europeias. Mas, neste ano de 2026, o Mondial do Automóvel, como é chamado, voltou com tudo, mas ainda não como antes da pandemia. Na atual edição houve a invasão chinesa, pela primeira vez. Em mostras anteriores, as marcas chinesas eram barradas, mas hoje a realidade é outra. Os chineses não estão invadindo só o Brasil. Também já estão tomando conta da Europa.
Mas a indústria ocidental não baixou a cabeça para os chineses no Salão de Paris. Mais uma vez a Renault, a maior francesa, mostrou a sua força e empenho em transformar a mostra em uma grande vitrine para suas tecnologias e novos automóveis. Mas as marcas ocidentais também já se curvaram totalmente para a eletrificação, como os chineses. Quase todos os modelos apresentados pelo grupo Renault com suas marcas Alpine, Dacia e a própria Renault são totalmente elétricos ou híbridos.
As outras duas grandes marcas francesas, Peugeot e Citroën, hoje do Grupo Stellantis, também entraram na onda da eletrificação e mostraram muitos modelos de linha e conceitos com muita tecnologia, acompanhadas por outra marca do conglomerado, a Fiat. Esta mostrou modelos que no futuro estarão no Brasil, certamente. E em toda as marcas principalmente as europeias, além da forte onda de eletrificação e pelo uso intenso de nostalgia com design retrô.
Mais de 20 marcas da China participaram do evento, exibindo alta tecnologia, carros elétricos acessíveis e modelos de grande porte, com destaque para nomes como Li Auto, Zeekr, BYD, Aito, Geely, GAC e outras. A maioria já está no Brasil mas em pouco tempo todas as demais também já terão aportado por aqui.
Além de modelos de linha que já rodam pelas ruas europeias, a Renault trouxe o passado de volta, mas com muita tecnologia em alguns modelos icônicos da marca. Renault 8 Gordini Concept: Um conceito elétrico de dois lugares com 270 cavalos de potência, tração traseira e carroceria de carbono que reinterpreta o clássico sedã esportivo dos anos 1960. Renault E-Space Concept: Uma releitura moderna e totalmente elétrica da tradicional monovolume Espace lançada originalmente em 1984.
Renault R4 4x4 Concept: Uma versão conceitual e aventureira com tração integral e motorização elétrica inspirada no lendário Renault 4. Renault Twingo: O modelo reapareceu no salão destacando o novo teto panorâmico de vidro chamado twingobay. O espaço da marca no salão também exibiu modelos de produção global e tecnologias híbridas que influenciam a gama atual (como Kardian e Rafale), além de antecipar novas plataformas desenvolvidas em parceria com a Geely. Modelos inspirados nesta tecnologia também já estão chegando ao Brasil.

Dacia Spring, ou Kwid elétrico, pode chegar por aqui
O carro popular da Renault no Brasil é o Kwid, que tem origem na Dácia, uma marca popular do grupo na Europa. E durante um bom tempo era vendida no Brasil a versão elétrica do modelo, que foi descontinuada. Mas agora surgiu em Paris o substituto do Kwid elétrico, que tem tudo para chegar no Brasil também. É o Dacia Spring.
Utiliza a arquitetura RG-EV small do Grupo Renault (compartilhada com o novo Renault Twingo E-Tech) e passa a ser fabricado na Eslovênia. Antes era na China. Ficou 15 cm mais comprido do que a geração anterior, totalizando 3,85 metros de comprimento, mantendo a homologação para quatro passageiros e adotando uma nova linguagem visual própria da marca.
O novo “Kwid” elétrico, ou Spring para os europeus, conta com um motor de 80 cv a 82 cv (175 Nm torque), acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 12 segundos e usa uma bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) de 27,5 kWh, oferecendo autonomia de até 250 km no ciclo europeu. No Brasil, pelo Inmetro, esta autonomia deve girar em torno dos 150 km. Com isso é um carro essencialmente urbano, como já era o antigo Kwid elétrico vendido no Brasil.

A volta do icônico Citroën 2CV
No estande da Citroën a nostalgia esteve presente em sua principal estrela, o conhecido 2CV, carro que marcou a história da marca no século passado. Uma releitura moderna e totalmente elétrica do clássico 2 CV (produzido entre 1948 e 1990). O modelo conceitual tem 3,76 metros de comprimento, foco em mobilidade urbana acessível, uso de materiais leves e recicláveis, e peso próximo de 1.000 kg. A previsão da marca é lançar uma versão de produção baseada nele na Europa até 2028, com preço inicial estimado em cerca de 15 mil euros.
Já a co-irmã da Citroën, a Peugeot, mostrou o Peugeot E-T16 Concept: Um hiper-hatch elétrico protótipo que homenageia os 40 anos do clássico 205 T16 (bicampeão mundial de rali nos anos 1980) e antecipa o design da próxima geração do 208. Ele inaugura a nova linguagem visual "Feline Future", com a assinatura de três garras luminosas na horizontal e 816 cv de potência.
Outro modelo que tem história na marca ressurgiu no salão. O Peugeot RCZ Vision: Um conceito de esportivo elétrico de alto desempenho que recupera o lendário nome RCZ. O modelo entrega cerca de 500 cv, autonomia de até 600 km, arquitetura elétrica de 1000 volts, direção steer-by-wire, volante Hypersquare e uma evolução do painel i-Cockpit.

Fiat mostrou os futuros Pulse e Fastback
Já a Fiat mostrou modelos conceitos que servirão de inspiração para a próxima geração de dois modelos brasileiros, o Pulse e Fastbach. São o Fiat Grizzly e Grizzly Fastback: Conhecidos no Brasil como as futuras evoluções de Pulse e Fastback, esses modelos com menos de 4,5 metros de comprimento trazem linhas mais retas inspiradas na família do Panda e faróis com visual pixelado. Na Europa, contam com opções de motorização a gasolina, mild hybrid (híbrido leve) e elétrica.
E no centro do seu espaço, a Fiat mostrou a Multiplay, um carro-conceito de 4,45 metros de comprimento que mistura elementos de SUV, monovolume e picape. Ele utiliza a arquitetura Metamorfosi, com uma coluna traseira móvel que permite transformar o veículo familiar de até 6 ou 7 lugares em uma picape com caçamba aberta e 4 assentos.




