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Duas rodas

Trocar o óleo no momento certo evita danos à moto

Concessionários recomendam a substituição a cada 1.000 km e a verificação do nível deve ser feita com frequência

Os concessionários recomendam a troca a cada 1.000 km | Fotos: Divulgação/Infomoto
Os concessionários recomendam a troca a cada 1.000 km (Foto: Fotos: Divulgação/Infomoto)
A tecnologia dos óleos evoluiu muito e agora o fluido dura mais |

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A tecnologia dos óleos evoluiu muito e agora o fluido dura mais

Uma boa lubrificação garante maior vida útil ao motor da motocicleta, porém, há mui­­tos mitos sobre qual a hora certa de trocar o óleo. Mitos como "trocar o óleo toda semana", "não deixar passar dos 1.000 km" ou "o ideal é trocar na metade do recomendado pelo fabricante", difundidos aqui e ali deixam o motociclista perdido sem saber qual a hora certa de fazer a manutenção de sua moto.

A dúvida não deveria nem existir, afinal o manual do proprietário que acompanha a motocicleta traz recomendações dos fabricantes sobre o óleo correto e o intervalo entre cada troca. Mas o que fazer quando até mesmo o mecânico da concessionária autorizada recomenda substituir o fluido antes do recomendado?

"Realmente, 90% dos mecânicos que recebem treinamento trocam na metade do intervalo recomendado", admite Alexandre Hernandes, Instrutor Técnico da Yamaha Motor. Responsável por capacitar os mecânicos das oficinas autorizadas, o instrutor afirma que isso acontece porque os mecânicos acreditam que dessa forma o motor dura mais. "Essa ideia vem da década de 1980, quando os óleos duravam menos. Agora a tecnologia dos óleos evoluiu muito e o fluido dura mais", explica.

Ao longo dos anos, assim como as motos, os óleos evoluíram. Tanto na viscosidade como nas especificações da API (American Petroleum Institu­te). "Antes os óleos atendiam normas mais antigas da API, agora o Yamalu­be, óleo recomendado pela Yamaha para suas motos, atende à norma SL, quer dizer uma especificação mais moderna, o que permite um maior in­­­tervalo na hora de trocar o óleo", res­­salta Hernandes.

Nas motos de baixa cilindrada da marca, como por exemplo, a YBR 125 Factor, a fábrica recomenda a troca de óleo a cada 3.000 km – ex­­ce­­to na primeira troca que deve ser feita aos 1.000 km junto com a revisão. Porém, uma rápida visita aos fóruns na internet ou uma conversa com motociclistas mostra que a maio­­ria faz a substituição a cada 1.000 km, inclusive com recomendação da concessionária.

"Os concessionários recomendam isso porque sabem que a maioria dos clientes não verifica o nível do óleo entre as trocas. Então para evitar problemas recomendam que se troque o óleo na metade do tempo", justifica Hernandes. E aproveita para alertar os motociclistas: "mesmo que a troca seja recomendada a cada 3.000 km, o motociclista precisa verificar o nível de óleo periodicamente e, se necessário for, completar com o mesmo óleo utilizado". Se o motociclista utilizar um óleo diferente, o fluido pode perder suas ca­­racterísticas, alerta.

O engenheiro da Honda, Alfredo Guedes, faz coro e admite que a troca do óleo feita antes do recomendado pela montadora também acontece em concessionárias da marca. "O consumidor é resistente a mudanças. Antes, quando o óleo tinha especificação inferior, a troca devia ser feita aos 1.500 km. Desde a CG 150, passamos a recomendar o óleo Mó­­bil Super Moto 4T, que tem viscosidade 20W50 e atende à norma API SF. Portanto as trocas passaram para intervalos de 4.000 km, com exceção da primeira que deve ser feita obrigatoriamente aos 1.000 km ou após seis meses.", explica Guedes.

A validade do óleo também é ou­­tro fator a ser levado em conta. Após sair da embalagem, o óleo dura seis meses. Mesmo que a moto não rode a quilometragem indicada, depois desse período o óleo deve ser substituído. "Mas trocar o óleo toda semana ou a cada 1.000 km, além de jogar dinheiro fora, vai gerar resíduos desnecessários para o meio ambiente", relembra o engenheiro que há 14 anos trabalha na Honda.

O óleo certo

Alfredo Guedes também alerta para o uso do óleo correto, ou seja, aquele recomendado pela montadora. "O consumidor deve sempre usar o óleo recomendado pelo fabricante, pois já fizemos exaustivos testes em bancadas, ou rodando em condições severas. Muitos proprietários de motos maiores, como a CBR 600RR, por exemplo, querem usar óleo de base sintética, porque acham que é melhor. Não recomendamos", avisa o engenheiro.

Segundo ele, os óleos de base sintética podem formar uma película nos discos de embreagem e reduzir o atrito. Com isso a embreagem pode começar a patinar. "Alguns fabricantes de óleo sintéticos afirmam que isso não acontece mais, porém a Honda ainda não testou esses óleos e o motociclista não deve utilizá-lo em nossas motocicletas, exceto em alguns modelos de competição que têm embreagem a seco", reforça.

A maioria das motos de rua tem discos de embreagem banhados a óleo. Enquanto nos carros há um lubrificante específico para o motor e outro para a caixa de transmissão, na maioria das motos com motores quatro tempos à venda no Brasil o mesmo óleo lubrifica cilindros, pistões e também a caixa de marchas e a embreagem. "Por isso nunca se deve usar óleo de carro em motocicletas", conclui Hernandes, da Yamaha.

Para saber qual a hora certa de trocar o óleo de sua moto, a principal recomendação dos fabricantes é só uma: seguir à risca o manual. Tanto em relação ao óleo a ser utilizado quanto ao intervalo entre as trocas. Com isso, o motociclista tem a garantia de estar cuidando bem da lubrificação de sua moto.

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