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“O Sul é meu país” não passa de preconceito

O ano de 2012 marca os 20 anos do surgimento do movimento “O Sul é o meu país”, e bastou a marca comemorativa para os filiados ao grupo aparecerem de novo, dizendo querer apoio para seu projeto. Eles não desistiram ainda de transformar a Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) em um país separado do Brasil.

Os defensores da ideia garantem que ela não se deve a preconceitos. Usam expressões como “autodeterminação dos povos” para explicar as suas supostas razões de separatismo.

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Basta ver a Carta de Princípios do grupo no seu site, porém, para descobrir quais são as verdadeiras motivações por trás do grupo – que, aliás, acho que não convence mais quase ninguém.

Identidade falsa

A “carta” fala, por exemplo, para evitar que chamem o grupo de preconceituoso, que a Região Sul recebeu povos de quatro continentes e que os miscigenou. Mas, logo a seguir, diz que os “sulinos” criaram uma identidade que os diferencia dos demais.

No Paranapanema, aparentemente, passa uma linha que transformou a miscigenação e os povos “de lá” diferentes dos miscigenados “de cá”. Que diferenças são essas? Não se diz, é claro.

Mas a carta traz outros motivos para o separatismo (que, aliás, é proibido pela Constituição e não poderia nunca ocorrer, a não ser por revolução). E, claro, muitos deles são econômicos.

O texto fala na “abominável sangria tributária da região Sul”. Ou seja, tira-se dinheiro daqui para levar a outras regiões. O movimento parece considerar isso um absurdo, quando na verdade é a base de qualquer país do mundo.

Leia mais: E se “O Sul é meu país” existisse para Atlético, Coritiba e Paraná?

Ok, o Sul é um pouco mais rico do que outras regiões. Então, não deveríamos ajudá-las? Qual seria o próximo passo? Separados os três estados, começariam a expurgar as regiões mais pobres dentro do novo território para não atrasar os demais?

Assim, logo teríamos guetos de muito ricos, que não precisariam contribuir para nada, e pobres, que não teriam com quem contar para ajudar em seu desenvolvimento. É um movimento contra a vida em sociedade, um grupo que prega o “cada um por si mesmo”.

Sozinhos somos mais pobres

Outro argumento do grupo é que o Sul é grande, tem riquezas variadas e tudo de que se precisa para fazer um país. Tem fronteiras, mar, solo fértil, minerais.

Supondo que ter riquezas, território e potencial geográfico é bom (e é, claro), a resposta mais simples para esse argumento é: então não é melhor termos os 8 milhões de quilômetros quadrados do Brasil como um todo?

Mas é claro que, ao fim e ao cabo, trata-se mesmo de um movimento preconceituoso. O grupo diz, por exemplo, que o problema de o Sul ajudar o Nordeste não é que o povo de lá fique com o “nosso” dinheiro. E, sim, que ele alimenta apenas coronéis e das “oligarquias políticas clientelistas” de lá.

Fala também que no Brasil triunfam as nulidades, citando Rui Barbosa, e que há muita corrupção. É claro que há muita corrupção. E clientelismo e oligarquias no Nordeste. Mas, por aqui, nada disso acontece? Não há coronéis no Paraná? O que nos ensinou a série Diários Secretos? Aníbal Khury não existiu? Não há corrupção?

O Rio Grande do Sul forneceu seis presidentes à República: quatro foram ditadores. Um governou todo o tempo em estado de sítio. São as oligarquias do Nordeste o único problema do país?

Aliás, só para ficar em mais um exemplo óbvio, se fôssemos um país separado, Rui Barbosa, o gênio citado pelo grupo, teria ficado do lado de lá. Há só corrupção e oligarquias no Nordeste?

O Brasil é um país gigante e nisso está a sua maior força. O Nordeste, hoje, cresce mais rapidamente do que o restante do país. A Amazônia é nosso maior patrimônio. Nossa indústria está em boa parte no Sudeste.

Separar uma região do país é uma ideia que não faz qualquer sentido. Felizmente, 20 anos depois, parece que a maior parte das pessoas já percebeu isso.

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