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Autismo: Desmistificando a Inclusão Escolar

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Em algumas das postagens anteriores, trouxemos questões sobre inclusão escolar. Mas você já parou para ver o que as pessoas têm dito sobre o tema na internet? É por isso que fiz uma seleção de alguns comentários que encontrei, e me dispus a comentá-los, colocando minha opinião sobre o tema! Os comentários que transcrevi estão disponíveis no site: http://www.vidamaislivre.com.br/forum/topico.php?id=559&/educacao_inclusiva_a_favor_ou_contra.

 


 

Comentário 1: Que tipo de inclusão estão falando? Tudo é inclusão. Agora me diga um aluno que está estudando em uma escola especial ele não é incluso? Como assim? Porque essa tal de inclusão só é inclusão se for no ensino comum? (…) (CÉLIO, 24/03/13)

Será mesmo que escola especial é inclusão? Privar os alunos típicos de conviverem com alunos com necessidades especiais e vice-versa, a meu ver, representa criar duas sociedades: uma dos alunos típicos, outra dos ditos atípicos. As crianças típicas não terão referência de que a sociedade é composta por diversidade, se são privadas dessa diversidade na escola.


 

Comentário 2: (…) Não se tem capacitação para dar atenção aos alunos digamos normais e para um especial totalmente comprometido, eles tem que ter sim uma escola especial só assim eles tem atenção e são valorizados esse negócio de como vão viver depois na sociedade é tudo balela, se são totalmente comprometido não tem noção de sociedade tem que se trabalhar com eles a sia necessidade conforme a sua deficiência. Sorte ainda que temos educadores que pensam no aluno e não naquilo que a politicagem mostra na mídia. (CÉLIO, 24/03/13)

Considerar que uma criança com grande comprometimento não vai ter oportunidade de conviver em sociedade no futuro é, sem dúvida, minimizar a capacidade de tantas pessoas com deficiência severa. Pessoas com deficiência severa podem, sim, ter “noção” de sociedade. Mesmo o autista mais severo é um ser humano e não um animal, e merece ter o máximo de sua potencialidade explorada. Não merecer ser escondido, mas inserido em nosso cotidiano.


 

Comentário 3: Sou contra “inclusão” dos alunos com dificuldades na rede comum sim! Na verdade crer faze-los igual aos alunos ditos “normais”, isso sim é exclusão. Na escola especial eles tem o tratamento todo voltado as suas especificidades, o trabalho é completamente diferente da rede comum. E esses alunos na rede comum se sentiriam mais deslocados e oprimidos, por ver que os colegas aprendem os conteúdos e eles não são capazes de aprender. (KEILA, 11/10/2012)

Já ouvi esse argumento antes e não consigo ver sentido lógico nisso. Fingir que a deficiência não existe é, de fato, preconceito. Lidar com um aluno com necessidade especial como se ele não tivesse deficiência pode promover exclusão, sim. Todavia, devemos nos dar conta de que inclusão é justamente inserir os alunos com necessidades especiais em escolas regulares, porém respeitando as necessidades de cada aluno.

Outra questão que merece ser apontada: como dizer que autistas “não são capazes de aprender”? Alunos com deficiência física OU INTELECTUAL podem, inclusive, ser muito mais capazes do que se pensa. Podem ser ótimos alunos!

Quanto a “se sentir deslocado”, é obrigação dos educadores e da escola promover essa inclusão. É obrigação das escolas regulares aceitar alunos com necessidades especiais e também se prepararem para tanto, sob pena de descumprimento legal. É claro que caberá muita luta aos pais das crianças a serem incluídas para fiscalizar essa inclusão e denunciar irregularidades. Mas é possível – e, se é possível, devemos lutar para que seja feito.


 

Comentário 4: Sou contra, pais colocarem todo essa responsabilidade para as escolas públicas e não darem nem um tipo de suporte para que isso aconteça de fato e de direito. Os professores não estão preparados e ficam perdidos quando estão com aluno especial na sala de aula, ficam sem saber o que fazer! (Ronilza, 28/04/2012)

De fato, falta suporte governamental para a realização da inclusão. Todavia, a inclusão é possível com o envolvimento dos educadores, pais e profissionais de saúde que atendem a criança. Com pesquisa necessária, esforço, um pouco de criatividade e muito envolvimento de todos é possível – sim – adaptar materiais e metodologia de ensino. Escuto todos os dias histórias de educadores que conseguiram realizar a tarefa.

A parte infeliz de tudo isso, é saber que grande parte dos professores de nosso país é extremamente mal remunerada, e que terá que atribuir mais empenho em seu trabalho, já que se dedicará a pesquisa e atualização de métodos de ensino. É justo com os professores? Evidente que o salário é injusto, contudo a atribuição de atualização e envolvimento inclusivo é parte da função de ser educador (afinal não deve o educador limitar-se a função de reproduzir a matéria da grade curricular, mas sim formar cidadãos).

Mais daí abrimos margem para outra discussão: diante da falta de medidas ativas do poder público na promoção da inclusão e disponibilização de recursos, diante do baixo salário dos professores, devemos lutar contra a inclusão ou lutar contra a má remuneração dos profissionais de educação e da falta de recursos direcionados à escola pública?

Um internauta, respondendo ao comentário citado, traz um posicionamento que creio ilustrar bem a questão: “ (…) você não é contra a educação inclusiva. Você é contra os professores e as escolas não estarem preparados para receber os alunos (Joana Bittencourt, 02/05/2012)”

Talvez aí esteja a questão mais pungente: muitas pessoas confundem ser contra inclusão com estarem revoltados com a falta de fornecimento de estruturas adequadas de ensino. Hoje estamos falando em escola inclusiva, e isso já é um passo que o Brasil dá. Agora precisamos caminhar no sentido de melhores condições para inclusão, melhores condições para o professores, maiores repasses de recursos para educação.


 

Comentário 6: A inclusão é bem vinda, entretanto devemos aderir com muita responsabilidade, pois o aluno com necessidades especiais varia de pessoa para pessoa e isto o governo não está observando. Está simplesmente incluindo sem a preocupação com o individual. Os professores por sua vez precisam estar preparados para receber estes alunos que estão sendo matriculados nas escolas, levando em consideração as múltiplas necessidades. (03/04/2010, Penha Scan)

De fato, a inclusão é tema a ser tratado com responsabilidade. Quanto ao fato de o governo não estar observando as necessidades individuais, acredito que existe uma parcela de verdade nisso. Apesar de hoje haver previsão de acompanhamento de tutor escolar para crianças deficientes que o necessitem, falta investimento governamental em adaptação para crianças com dificuldade de locomoção, bem como politicas ativas do governo sobre inclusão, combate ao preconceito, bem como assistência aos professores. Isso não deixa de fazer com que a educação inclusiva seja um advento, mas chama atenção que ainda há MUITO a se fazer, muito o que se buscar.


 

Comentário 7: “SOU TOTALMENTE CONTRA (inclusão)”

Que pena, porque agora é lei! Nossos filhos estudarão juntos, e eu tenho certeza que os pequenos autistas (bem como crianças com demais deficiências), ainda vão ensinar muito a seus filhos. E se acha isso um absurdo fique atento, porque nós, pais de crianças com algum tipo de necessidades especiais, ainda vamos lutar mais e mais por esse e tantos outros direitos. Como mãe de uma criança autista (criança essa que você não deseja que esteja perto do seu filho), eu digo: Você vai ter que me engolir!


 

 

E qual é a sua opinião? Mande para mim! Vou gostar de saber!

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