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Algoritmos versus você: recupere o controle de sua vida digital

Sempre falo aqui no blog de como as redes sociais nos tranformaram em zumbis de conteúdo. Muita gente nem sabe que está consumindo o conteúdo que as redes sociais querem, e não aquilo que você de fato deseja. Os usuários continuam achando que o que aparece em sua timeline é o conteúdo das páginas e pessoas curtidas. Simples assim.

O efeito tóxico da bolha da informação nós já conhecemos: alienação, desinformação e uma confusão generalizada por causa das chamadas fake news.

Mas não é apenas nas redes sociais que os algoritmos nos aprisionam em suas bolhas. Aplicativos comuns fazem uso cada vez maior do que há mais avançado em deep learning e inteligência artificial. Sua vida está entregue aos códigos, que a cada dia tomam mais decisões para você. A música que se ouve, as notícias que se lê, as fotos que se guarda, os vídeos e filmes que se assiste e até mesmo sua caixa de entrada de emails: tudo está nas mãos dos algoritmos.

É exatamente por causa desta falta de controle cada vez maior sobre nossas prórpias coisas, além da perda da privacidade, que eu mantenho um jeito bem old school de cuidar da minha vida digital.

Gosto de redes sociais, mas elas não são, absolutamente, a minha fonte principal de informação. Meu gerenciador de feeds, o Palabre, garante que eu leia todo o conteúdo publicado pelos sites e blogs que eu escolhi.

As músicas que ouço costumam vir de decisões que eu mesma tomo na hora de ouvi-las. Escolho o artista, o álbum ou pelo menos o gênero que quero ouvir, baseando-me nas playlists que eu mesma construí e salvei. Raramente apelo ao que o Spotify traz como sugestão. O mesmo vale para filmes da Netflix. Com os vídeos do YouTube é um pouco mais difícil, mas procuro me conter. Não é raro eu começar assistindo videoaulas de Cálculo e terminar vendo traquinagens felinas. O YouTube é a casa do capeta procrastinador! O mesmo vale para fotos: tenho muitas coisas em pastas do OneDrive, mas a preguiça me fez deixar o Google Fotos organizar os eventos automaticamente para mim. Estou reavaliando essa conduta.

Mas o mais assustador é deixar que algoritmos cuidem de nossas caixas de entrada. O Google é campeão nisso, e por esse motivo conquistou o coração dos bagunceiros. Ele organiza para você mensagens prioritárias, separa compras de promoções e avisos e tudo parece sempre limpinho e em ordem, dando uma falsa sensação de controle. Porém, ele esconderá pessoas que não considera importantes de sua vida. E aí podem estar família, colegas, clientes… não vou nem mencionar que eles está sempre espiando e lendo tudo o que você escreve e recebe.

Sugiro que você observe quais músicas você ouviu recentemente, bem como os filmes que assitiu na Netflix ou no YouTube, e as notícias que leu. Era o que você realmente queria ver, ou foi recomendação de algum algoritmo? Você foi até elas, ou elas vieram até você? Reflita e mude. Não deixe que as gigantes do mundo da tecnologia dominem até suas decisões.

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