Blog Giro Sustentável
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Compras Sustentáveis na Itaipu

Quando convidado a sintetizar a grandeza de uma realização dessa natureza, imediatamente lembrei que não é uma tarefa fácil. Mas eu me propus a tentar.

Comecei lembrando de que trata de um processo que exigiu (desde 2012, quando eu ainda não fazia parte do processo) e ainda exige, muito trabalho e grandes desafios, erros e acertos, encontros e desencontros, até se tornar referência internacional.

Recordei que o que hoje chamamos de sucesso somente foi possível depois de transmitir e compartilhar muito sentimento e orgulho pessoal com cada um dos envolvidos, que contribuíram para a verdadeira materialização. Que passou pela atuação de um time engajado e pelo desafio pessoal, desde janeiro de 2014, de co-liderar tão complexo trabalho. Resultou em orgulho pessoal motivado pela transformação que causou, desde a mudança de paradigma até os acontecimentos em relação ao próprio tema.

Orgulho que confirma que sim, é possível! Coisas inimagináveis podem acontecer e estão acontecendo. Portanto, temos que fazê-las.

Trata-se de um processo de conexões que reúne não somente os colegas de toda a área protagonista, mas as mais de 400 pessoas envolvidas diretamente no programa, quase 1/3 de todos os empregados. Trata-se do estrondoso papel de parceiros e stakeholders, consultores, seres humanos e suas ponderações sempre construtivas.

Lembrei-me da importância da “Flexible Framework”, um plano de implementação que propõe cenários realizáveis ao longo do tempo, distribuídos em ações, projetos e atividades referentes a Pessoas, Política, Estratégia e Comunicação, Governança, Processos de Aquisições, Engajamento de Fornecedores, além de Controles para mensuração e registro de resultados. Foi por meio da estrutura flexível que eu vi consolidado o sem-número de ações que foram realizadas, desde as mais simples até as mais complexas.

Trata-se de estabelecer prioridades, onde eu vi cada compra de 53 diferentes objetos de licitação, desdobrados em 3.729 itens de compra, distribuídos em 1.471 contratos executados com o carimbo de Compras Sustentáveis desde dezembro de 2014. Lembrei-me dos colegas do RH e de como conheci cada metro quadrado das mais de vinte salas de treinamento da Entidade.

Trata-se de conciliar expectativas, cuidado por meio do qual vivenciei cada alegria do sucesso e cada angústia do que precisava ser refeito ou melhorado. Poucas coisas não funcionaram, mas o ímpeto por bem realizar impediu que ruísse.

Necessário o humilde reconhecimento, inclusive, de que o monitoramento da Framework auxiliou muito a todos a conter a ansiedade por resultados rápidos e urgentes, o que me faz lembrar do quanto o perfil pela busca insaciável de um líder por realizações influencia a sua equipe. Tudo em nome do bom, afinal, “o ótimo é inimigo do bom”. E, mais ainda, sempre com o foco no fazer bem feito o que precisa ser feito. Primeiro o mais importante. A Política de Compras Sustentáveis deu o norte, a Estrutura o caminho e o Roteiro Passo a Passo, o método.

Trata-se do estabelecimento de um Comitê, onde eu vi cada um dos 14 membros atuando de forma ativa, 4 suplentes ad hoc e 3 que foram substituídos por aposentadoria ou mudança de área. Lembrei-me de cada uma das 41 reuniões ordinárias (a última foi em 26 de julho p.p.). Lembrei-me do clima de desconfiança e de resistência dos primórdios; das discussões acaloradas e inflamadas já no plano médio do programa; e do clima colaborativo e de confiança que impera na atualidade. E aqui, entrou a irmandade com o Paraguai, a compreensão entre os diferentes, suas necessidades e ambições. Tudo pautado em princípios e valores universalmente aceitos.

Trata-se do relacionamento com fornecedores, entendimento que me traz à mente o primeiro evento para o lançamento do programa em 2014: o esforço, a dificuldade em reunir apenas 46 deles, o engajamento da Diretoria Financeira, o apoio do Planejamento de Compras, dos Órgãos de Compra, do Desenvolvimento de Fornecedores, do Cadastro de Fornecedores. Sim, começou pequeno. Lembro-me da ansiedade da Superintendente, o trabalho da Comunicação Social, da Divisão de Imagem e da Divisão de Eventos. Até uma bancada para verificação, atualização e renovação cadastral foi montada no local.

Trata-se de incluir cláusulas em contratos e itens em especificações técnicas, que desde a implantação até julho de 2018 somam mais de 700 milhões de dólares americanos adquiridos, algo em torno de 20% das compras da Entidade. Quando revisito esses números, me vêm à mente as insistentes cobranças dirigidas às áreas para que consignassem em suas requisições os critérios de sustentabilidade, preenchessem o check-list e marcassem os itens com o respectivo xix. Nessa hora, recordo da participação fundamental da Divisão Central de Recepção de Requisições e de seus integrantes. Também não me falta à mente o papel dos Diálogos Sustentáveis, eventos internos para toda a empresa, que tiveram como tema o Programa Compras Sustentáveis.

Trata-se de estar aberto para a transferência da metodologia concebida para outras entidades, tais como a Eletrobras, momento em que me lembro das incontáveis videoconferências e algumas reuniões presenciais no Rio de Janeiro e em Brasília até se chegar à conclusão de que o caminho viável seria incluir essas práticas e procedimentos na política de suprimentos do sistema. E desde 2017 eles estão lá.

Além da Eletrobras, parte da metodologia foi transferida aos municípios lindeiros ao Lago, quando me vem à mente a face de cada uma das mais de 20 pessoas envolvidas em Santa Helena e outras 8 em Foz do Iguaçu. Lembrei-me, também, da Câmara Municipal de Marialva, do Município de Mundo Novo e de Ubiratã que quase imploraram pela aplicação da metodologia. Infelizmente, por motivos alheios às vontades dos envolvidos, ficamos devendo. Lembrei-me de todos os rebatimentos pelas palestras e reuniões realizadas na região em conjunto com o Cultivando Água Boa, na figura emblemática do então líder do Departamento de Integração Regional, em prol do programa Cidades Sustentáveis.

Trata-se de estar envolvido integralmente no processo, o que exige a transformação de si mesmo de um quase cético descrente para um visionário crente em questões de sustentabilidade, o que fez lembrar-me de uma colega com mais de 30 anos de casa afirmar que, ao longo da carreira, esta foi a experiência mais agradável e compensadora de sua vida. Senti-me privilegiado, pois, com apenas 7 anos na empresa e 5 neste case, tenho para minha carreira, a mesma convicção.

E o melhor, trata-se de descobrir que valeu todo o esforço e cada minuto. Que não para por aí.

Agradeço pela oportunidade de participar de tamanha realização e parabenizo todos os envolvidos por tão grande feito. Estes feitos confirmam, uma vez mais, que sim, é possível. Ainda que precise ser constantemente aperfeiçoado, sigamos em frente. Agindo assim, estaremos rendendo nossas pequenas contribuições para, quem sabe, fazer deste um mundo melhor, na certeza de que mais importante do que gerar fisicamente energia é cuidar das gerações futuras do ecossistema. Afinal, 2020, data prevista para o encerramento dessa parte do programa, está logo ali.

*Artigo escrito por  Adriano Hamerschmidt, especialista em contabilidade e finanças, mestre em sustentabilidade e desenvolvimento sustentável, coordenador brasileiro do Comitê de Compras Sustentáveis da ITAIPU Binacional.

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