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ODS-08, desafios para o Terceiro Setor e Voluntariado

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável ODS-08 afirma que deve até 2030 “Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos”.

Cada vez mais o Terceiro Setor aumenta sua expressividade no Brasil, trazendo muitas oportunidades. Já são mais de 12 milhões de trabalhadores, trabalhadoras e voluntários dedicados a um setor da economia que está em expansão, apesar da crise em que o Brasil se encontra.

Isso não significa um sentimento de segurança, ao contrário. O mundo do trabalho está em revolução e mudanças profundas têm sido feitas. Cada vez mais a filantropia tem sido encarada como negócio social, necessitando se adequar e se ajustar com novas formas de tecnologias sociais e profissionalização. As organizações da sociedade civil (OSC) não existirão sem superar os desafios de hoje.

Dentre as metas do ODS-08, duas se destacam: (a) A necessidade de “sustentar o crescimento econômico per capita de acordo com as circunstâncias nacionais e, em particular, um crescimento anual de pelo menos 7% do produto interno bruto [PIB] nos países menos desenvolvidos, e (b) “Atingir níveis mais elevados de produtividade das economias por meio da diversificação, modernização tecnológica e inovação, inclusive por meio de um foco em setores de alto valor agregado e dos setores intensivos em mão de obra.”

Para qualificar o mundo do trabalho e contribuir para os ODS, alguns desafios devem estar no radar das OSCs.

  • Gestão Eficiente: o desempenho das atividades gerenciais, administrativas e operacionais ainda segue em muitas organizações um modelo mental que resiste à profissionalização. Ainda resiste no imaginário a falsa ideia de que para fazer o bem basta um bom coração. Sabemos que se não existirem sistemas de gestão focados na eficiência, as organizações irão desaparecer.
  • Recursos limitados e escassos: sem uma gestão eficiente, projetos e programas podem até ser implementados, mas não trarão resultados de impacto positivos e duradouros: a organização irá desaparecer por se tornar irrelevante. A sobrevivência institucional necessita de um plano de gestão de recursos adequado às demandas dos stakeholders e conjuntura, com a profissionalização de todas as áreas a partir de conceitos de sustentabilidade. Os postos de trabalho e a qualificação dos colaboradores devem ser vistos como fatores críticos de sucesso para os projetos.
  • Credibilidade: este é um dos maiores desafios para as organizações. O Marco Regulatório (Lei 13.019/2014) surgiu em um momento de profunda crise e denúncias no Terceiro Setor, abalando a credibilidade das organizações. Ainda hoje as OSCs são vistas com suspeitas pela população juntamente coma a categoria política, normalmente os maiores parceiros das causas sociais. Neste contexto faltam padrões éticos, de transparência e governança. Um programa efetivo de Compliance, nos moldes do que acontece cada vez mais no exterior, deve ser levado a sério e planejado. Muitos diretores usam as entidades como fachada, para promoção pessoal ou empresarial. Para piorar, diversas organizações abusam do “voluntariado”, chantageando pessoas para cumprirem jornadas de trabalho “por amor à causa”. Nesse meio a população está atenta para OSCs com visão e atitude profissionais.
  • Voluntariado e interesse da sociedade: se existe desconfiança por um lado, as mídias sociais cada vez mais motivam o público para outra forma de trabalho: o voluntariado. Pesquisa em mais de 130 municípios apontam que 11% da população brasileira são voluntários e um número quase três vezes maior (28%) já realizou algum tipo de atividade formal não remunerada para ajudar o próximo em algum momento. Isso também indica que cerca de 70% da população brasileira não teve experiência alguma com o voluntariado.

Agosto: mês do voluntariado

Para o brasileiro, não apenas as condições de trabalho devem amadurecer e evoluir, mas suas atitudes também precisam mudar. O trabalhador deve ser respeitado em seus direitos, mas também responsável em suas ações. Observando os motivos que levam as pessoas a serem voluntárias, elas afirmam que é para serem solidárias, ou que fizeram por amizade e influência de conhecidos, ou ainda por satisfação pessoal e identificação com uma causa.

E o que eles recebem em troca? Um conjunto de sentimentos que aumenta a percepção de mundo melhor sendo construído: sensação de bem-estar, sentir-se útil e gratificação pessoal são, na opinião dos brasileiros, a base do trabalho voluntário.

Podemos apresentar algumas sugestões que podem agregar valor e conquistar voluntários alinhados ao ODS-08: palestras e oficinas sobre educação financeira, aulas sobre conceitos básicos de empreendedorismo, feiras e bazares com artesãos e pequenos produtores, promoção de cursos que gerem possíveis fontes de renda, palestras sobre direito do trabalhador e sobre ética no trabalho, mapeamento e divulgação de feiras livres e produtores locais da sua cidade, dentre várias outras.

Desta forma, à medida que se profissionaliza o Terceiro Setor pode somar o melhor de dois mundos: o trabalho remunerado e a possibilidade de agregar sentimento de valor e pertencimento para o trabalhador.

Nada como construir uma vida com propósito e, melhor ainda, sendo bem pago para isso. Essa deve ser a visão das organizações do Terceiro Setor.

 

*Artigo escrito por Gustavo Adolpho Leal Brandão, Consultor Especializado pela UFRJ para o Terceiro Setor, Certificado pelo PMD PRO – Project Management for Development, Empresário, Consultor na Una Consultoria Social, Coach e Consultor em Compliance pela Mentoris Ltda.

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