Blog Guido Orgis

Vem aí o candidato presidiário?

Depois do feito de ter um deputado presidiário, o Brasil pode inaugurar o ineditismo do candidato presidiário. A reação do PT à negativa do STF ao pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula foi dizer que o partido vai até o fim com sua candidatura.

O próprio Lula teria admitido a aliados, porém, que sua candidatura não seria possível. Essa é uma decisão que não será tomada agora. O ex-presidente vai primeiro passar pela experiência da prisão, esperar a avaliação de recursos (que podem conseguir o relaxamento da prisão, por exemplo) e avaliar o cenário político.

Se a decisão fosse tomada hoje, Lula seria candidato apenas pelo valor do inusitado. Chamaria a atenção com seu nome nas ruas enquanto ele mesmo estaria atrás das grades. Só serviria para reforçar em alguns a crença na perseguição política, já que seria muito esperar que o TSE permitisse que seu nome de fato chegasse às urnas eletrônicas.

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Mas há tempo até outubro para o valor de sua candidatura mudar, para mais ou para menos. Se o nome de Lula continuar firme nas pesquisas, apesar da prisão, e se ele conseguir alguma vitória em algum dos tantos recursos possíveis nas instâncias superiores, a militância do PT pode se animar em mantê-lo como candidato com uma pequena chance de a impugnação não sair antes do primeiro turno – ou pelo menos tarde o suficiente para seu sucessor ter votos. Pode ser um atalho para o partido não sumir do mapa.

Outra possibilidade, no entanto, é que o PT com o tempo entenda que o nome de Lula não vai bastar para o partido continuar vivo. Preso, ele não terá mais caravana ou palco. Terá de cuidar de sua estratégia de defesa em mais seis processos e em conseguir progredir sua pena para um regime menos rígido do que o presídio no Paraná. A porção da esquerda que o apoia começará a seguir sua vida sem Lula e sem o PT.

Lula e o PT até agora se prenderam ao poder da figura do ex-presidente para sustentar sua inocência diante do público. Não foi suficiente para dobrar as instituições e seria otimismo demais esperar que só isso seja suficiente para enterrar a Lei da Ficha Limpa.

É normal que as lideranças do PT em um primeiro momento ainda queiram se fiar na salvação de Lula como a estratégia para continuar no jogo político. E também é de se esperar que o próprio partido pense em alternativas para se reconstruir após ter se afundado na corrupção que levou à condenação de seu maior líder. É essa segunda corrente que deve evitar o ridículo de o país ter de discutir a candidatura de um político preso por corrupção.

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