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Dabliu e as Ilhas que Afundam

Dabliu (foto por Erick Reis)

Dabliu (foto por Erick Reis)

Numa noite escura em alto mar, sem estrelas, com o vento gelado cortando a pele e a certeza de que a ilha que se vê próxima é o melhor lugar possível para se chamar de lar. É essa a sensação ao ouvir o novo álbum de Dabliu, “Ilha Desconhecida”, que será lançado em plataformas digitais e em lojas físicas nesse domingo (20).

O evento de pré-lançamento, que inclui audição exclusiva do disco, acontece em Curitiba para público e convidados, sábado (19), no Atelier Soma (Rua Brigadeiro Franco, 2119). Será também a despedida do Brasil de Dabliu, que viaja para Londres no início de outubro.

Diferente de seu disco de debute, “Sobre os Ombros de Gigantes”, a Ilha vem para desconcertar o certo, desnortear o norte, refutar certezas. Como já dizia Tom Zé: “Eu tô te explicando pra te confundir / Eu tô te confundindo pra te esclarecer / Tô iluminado pra poder cegar / Tô ficando cego pra poder guiar”. Dabliu precisou desconstruir o que lhe dava segurança para poder diferenciar exatamente o que seria verdadeiro e duradouro. E assim pôde construir o barco rumo à ilha desconhecida.

Inspirado no Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago, Dabliu apresenta um álbum conceitual e inspirador. Entre composições que já existiam e canções feitas para o disco, a intenção do músico é criar uma obra linear, não apenas uma coleção de faixas. Para que haja a compreensão, a Ilha deve ser escutada em ordem, do começo ao fim. E quando o fim chegar, há de se compreender o meio e o início.

É o batuque brasileiro do maracatu e do samba, é a força dos ritmos africanos, é a sonoridade do violão da MPB, é a frequência dissonante da música eletrônica e o arranjo de vozes. São indefiníveis as faces do álbum, que transporta os ouvidos e o coração para o meio da ilha. “Viajante”, o single do disco, e “Barco à Vela” apresentam essa mistura de ritmos com maestria, sem tirar a simplicidade da poesia de Dabliu.

Confira abaixo o clipe de Viajante:

Sempre intensas e profundas, as letras das canções tratam da busca pelo interior e pela autorreflexão que ora a solidão, ora o amor podem proporcionar, como em “A Ilha” e em “Orbitar”. Já “Desassossego” e “Gaia” são músicas em que predominam o sossego e a paz, contrastando com o peso da carga emocional de “A Borboleta e o Vagalume”. “Desconhecida”, a faixa que termina a Ilha, carrega o fardo de ser a maior música do disco, tanto em seus sete minutos quanto em grandeza artística.

“Eu vim pra longe e mesmo assim
Se eu for fugir de mim
Eu sempre vou me achar
E ser menor pra ser maior
Exilada de si
A ilusão vai só”
(Desconhecida)

Com produção de Stéfanos Pinkuss e Luís Piazzetta, “Ilha Desconhecida” foi gravado no estúdio Gramofone, em Curitiba. O trabalho também conta com projeto gráfico de Thiago Dalleck e os vocalises de Gui Sales na última faixa. Uma produção dedicada nos detalhes e na delicadeza, que sincroniza perfeitamente com os versos cantados por Dabliu.

As ondas da praia em frente a uma cabana de sapê, o som dos pássaros guiando os sentidos e a tranquilidade de estar entre amores, amigos e família. É essa a sensação ao terminar de escutar a Ilha Desconhecida. E vai além.

(foto por Erick Reis)

(foto por Erick Reis)

(foto por Thiago Dalleck)

(foto por Thiago Dalleck)

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