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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) incluiu a arara-azul-grande novamente na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção.
A listagem publicada reúne 789 espécies ameaçadas e nove extintas entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres, e substitui a versão anterior, de 2022.
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Por que a arara-azul-grande voltou à lista de espécies ameaçadas?
Essa é a segunda vez que a arara é incluída na lista. A espécie foi colocada na listagem pela primeira vez na década de 1980, quando, segundo o Instituto Arara-azul, mais de 10 mil aves foram retiradas da natureza em decorrência do tráfico e da caça. Em 2014, após ações de preservação e repovoamento, a espécie havia saído da lista oficial.
De acordo com o MMA, a nova listagem contempla os resultados das avaliações conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Elas consideram o risco de extinção da espécie em todo o território nacional, sem divisão por estados.

A atualização da lista reúne 24 espécies classificadas nas categorias Vulnerável (VU) e Em Perigo (EN). As categorias fazem parte do sistema de classificação de risco de extinção adotado pelo Ministério e baseado nos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Elas indicam o grau de risco de uma espécie desaparecer da natureza.
O que significa a categoria "Vulnerável"?
A arara-azul-grande foi incluída na categoria “Vulnerável’, que reúne espécies que enfrentam um risco alto de extinção. Embora ainda possa existir em números relativamente maiores que outras categorias, suas populações estão diminuindo ou seu habitat está sendo reduzido de forma preocupante.
Como os incêndios no Pantanal ameaçam a arara-azul-grande?
Segundo a presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, os grandes incêndios no Pantanal afetaram muito a espécie, que é mais suscetível por ter uma alimentação extremamente especializada e um hábitat bastante peculiar, o que a faz dependente de poucas espécies arbóreas na natureza para a sobrevivência.
“Quando ocorrem esses incêndios no Pantanal, além de queimar ninho, ovos e filhotes, queima o habitat como um todo”, lamenta.
Neiva explica, ainda, que os incêndios também levam a uma mudança na relação entre as espécies. “Aquelas que não predavam antes, agora começam a predar. Com isso, essas espécies que são mais suscetíveis, como a arara-azul-grande, acabam sendo grandemente afetadas, não só no momento do fogo, mas por vários anos depois”.
Monitoramento aponta queda na reprodução das araras-azuis
Desde 1990, o Instituto Arara Azul realiza o estudo sobre a biologia básica, ecologia e aspectos sanitários no Pantanal Sul, fazendo o monitoramento das aves. Os ninhos são identificados, cadastrados e acompanhados de forma contínua.
Quando são encontrados ovos ou filhotes, eles também passam a ser monitorados e as informações são registradas pelo projeto.

Segundo Neiva, os dados mais recentes mostram impactos significativos causados pelos incêndios florestais.
“Observamos que houve uma grande diminuição do número de casais se reproduzindo e, consequentemente, do sucesso reprodutivo por conta dos grandes incêndios. Eles afetam as araras-azuis, matam ninhos, ovos e filhotes e diminuem a imunidade da espécie, fazendo com que os filhotes tenham lesões na pele e baixo desenvolvimento", afirma.
Ninhos artificiais ajudam na recuperação da espécie
O Instituto também associa o aumento dos índices de nanismo na espécie às consequências dos incêndios. O instituto acompanha as araras desde 1990 e tem hoje um histórico de dados e monitoramento.
“Com ações como a instalação de ninhos artificiais, manejo de ninhos naturais e a ampliação das áreas de estudos, nós conseguimos melhorar o sucesso reprodutivo", completa.
Neiva ressalta ainda que esses resultados contribuíram não apenas para o aumento da população de araras-azuis no Pantanal, mas também para a expansão da espécie para áreas do Cerrado no entorno do bioma.



