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Facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho estão capturando contratos milionários de transporte, saúde e coleta de lixo em diversas prefeituras brasileiras. O movimento busca lavar dinheiro ilícito e ganhar influência política dentro das administrações municipais.
Como as facções conseguem entrar na administração pública?
Os grupos criminosos aproveitam falhas na fiscalização e brechas em licitações para vencer concorrências públicas. Eles utilizam empresas de fachada ou cooperativas, muitas vezes apoiando e financiando candidatos a vereador e prefeito para garantir influência política e indicações para cargos estratégicos, como secretarias de governo.
Por que o interesse do crime organizado em contratos de ônibus?
O transporte público é usado como uma ferramenta fabulosa para a lavagem de dinheiro. Como o setor movimenta grandes quantias de dinheiro em espécie das passagens, os criminosos injetam os recursos vindos do tráfico e do roubo nas empresas, fazendo-os parecer lucros legítimos do serviço prestado à população.
Quais são os riscos para a segurança além do desvio de dinheiro?
A infiltração permite que criminosos tenham acesso a informações críticas e sistemas de inteligência. Se uma facção controla, por exemplo, o sistema de câmeras de segurança de uma cidade ou o monitoramento de placas de veículos, ela pode planejar crimes com vantagem tática e monitorar a rotina de alvos e da própria polícia.
O que as prefeituras estão fazendo para barrar o crime?
Algumas cidades, como São Paulo e Curitiba, tentam implementar regras de compliance e programas de integridade. Em São Paulo, empresas suspeitas de ligação com o PCC foram proibidas de operar. Já Curitiba busca endurecer auditorias em suas licitações, exigindo históricos técnicos e fiscais rigorosos para evitar empresas inidôneas.
Por que ainda é difícil combater esse avanço?
Especialistas indicam que o Brasil está atrasado na criação de regras específicas contra a máfia no setor público. As medidas costumam ser tomadas apenas de forma corretiva, após a descoberta de esquemas pela polícia, em vez de existirem barreiras preventivas permanentes que impeçam narcotraficantes de se tornarem sócios de serviços essenciais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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