
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Erga Omnes para desarticular um esquema de tráfico internacional na Rota Amazônica. A investigação revelou que o Comando Vermelho movimentou R$ 70 milhões com o auxílio de servidores públicos, advogados e empresas de fachada ativos desde 2018.
O que é a Rota Amazônica e qual sua importância para o tráfico?
A Rota Amazônica é um dos principais caminhos usados para trazer drogas, principalmente cocaína e maconha gourmet, dos países vizinhos como Colômbia e Peru para o Brasil. Da região amazônica, os entorpecentes são levados para o restante do território nacional e exportados para outros continentes, como Europa e Ásia. O domínio dessa rota é estratégico para as grandes facções por permitir o transporte fluvial e terrestre em larga escala.
Como funcionava o consórcio de traficantes descoberto pela polícia?
Criminosos ligados ao Comando Vermelho em sete estados diferentes criaram uma espécie de rede de financiamento coletivo. Traficantes de locais como São Paulo, Ceará e Minas Gerais enviavam quantias entre R$ 100 mil e R$ 700 mil para financiar a compra e o transporte de grandes cargas de drogas. Esse modelo de negócio permitia que os grupos criminosos adquirissem os produtos diretamente na fronteira a um custo muito mais baixo, aumentando o lucro na distribuição final.
Quem são as figuras públicas envolvidas no esquema no Amazonas?
A investigação identificou uma infiltração preocupante no poder público. Entre os presos estão uma policial civil que foi chefe de gabinete da prefeitura de Manaus, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e um policial militar. Além deles, advogados e ex-assessores parlamentares também são investigados por facilitar a logística da quadrilha e tentar obter informações sigilosas sobre investigações policiais para antecipar ações da justiça.
De que forma o dinheiro do tráfico era movimentado pela quadrilha?
O grupo criminoso utilizava empresas de fachada nos ramos de transporte e locação de veículos. Essas empresas existiam apenas no papel ou operavam de forma documental para movimentar valores ilícitos, totalizando pelo menos R$ 70 milhões desde 2018. Relatórios de inteligência financeira mostraram que havia uma incompatibilidade total entre os altos valores movimentados nas contas bancárias e a renda declarada pelos suspeitos envolvidos no esquema.
Qual é a variação de preço da droga ao longo da rota de tráfico?
O valor do entorpecente sobe drasticamente conforme se distancia da fronteira. Um quilo de maconha colombiana que custa 150 dólares na área de produção chega a Manaus valendo 1,4 mil dólares. Ao atingir o litoral do Nordeste, o preço sobe para 2,9 mil dólares e, no Sudeste, o valor final pode atingir cerca de 5,6 mil dólares o quilo. Essa valorização explica por que as facções investem tanto no controle logístico da região amazônica.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
VEJA TAMBÉM:








