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Divinópolis

Cidade mineira reúne vínculos com sete eleitos e busca transformar projeção política em negócios

A Acid aponta carga tributária, obrigações fiscais, custos financeiros e dificuldade de acesso ao crédito entre os principais obstáculos aos negócios.
Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Divinópolis (Acid) aponta carga tributária, obrigações fiscais, custos financeiros e dificuldade de acesso ao crédito entre os principais obstáculos aos negócios. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Divinópolis)

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Divinópolis, cidade de 245 mil habitantes no centro-oeste mineiro, saiu das eleições de 2026 com sete eleitos ligados ao município: um governador, um senador e cinco deputados. Os indicadores econômicos, porém, são mistos: a cidade subiu 40 posições no Ranking de Competitividade, mas caiu quatro na dimensão "Economia".

O setor produtivo espera que a visibilidade política se transforme em investimento na cidade que fica a 120 quilômetros da capital Belo Horizonte e está na 10ª posição entre as cidades mais populosas do estado.

Cleitinho Azevedo (Republicanos) venceu a disputa pelo governo de Minas. Domingos Sávio (PL), ex-prefeito de Divinópolis, conquistou uma cadeira no Senado. Para a Câmara dos Deputados, foram eleitos Gleidson Azevedo (Republicanos), Ana Elisa (PT), Gleide Andrade (PT) e Lohanna França (PV), que foi vereadora na cidade. Eduardo Azevedo (PL) foi reeleito deputado estadual.

Os vínculos são de origem ou trajetória política. Os irmãos Cleitinho, Gleidson e Eduardo, nascidos na cidade, são de uma família de comerciantes locais.

Gleidson, irmão gêmeo do governador eleito, comandou a prefeitura de 2021 a 2026. Foi reeleito em 2024 com 71,54% dos votos válidos e deixou o cargo para disputar a eleição deste ano.

A projeção nas urnas reúne nomes de direita e de esquerda. No setor empresarial, a expectativa é que essa presença em Brasília e Belo Horizonte ajude a atrair investimentos. A questão é como transformar a visibilidade em oportunidades para uma economia que enfrenta concorrência externa, custos de produção e dificuldade de contratação.

Divinópolis tem população estimada em 244.769 habitantes em 2026 e seu Produto Interno Bruto somou aproximadamente R$ 9,34 bilhões em 2023, a preços correntes, segundo dados do IBGE reproduzidos pelo portal "Prefeituras em Números".

Uma indústria que cresceu no quintal de casa

A trajetória da empresa Tricostura ajuda a entender como o polo de confecções criou espaço para fornecedores locais. Segundo Cleverson Nogueira Gabriel, diretor-executivo da empresa e presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Divinópolis (Acid), os primeiros clientes eram todos da cidade.

A empresa fornecia insumos às confecções locais. “A proximidade com os compradores e suas exigências ajudaram a desenvolver a produção”, afirma o empresário.

O mercado que estava perto de casa deu a base para buscar clientes mais distantes. A empresa hoje tem 230 colaboradores, atende compradores pelo Brasil e exporta para Argentina, Paraguai e Colômbia.

A trajetória ilustra uma das vantagens de produzir em um polo. Fabricantes alimentam uma rede de fornecedores. Além das peças acabadas, a cadeia movimenta matérias-primas, componentes, lavanderias, estamparias e distribuição.

Em publicação de agosto de 2025, a prefeitura informou, com base no Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd), que o município reunia mais de 2.550 empresas de confecção, incluindo cerca de 500 indústrias formais. A produção era estimada em 19 milhões de peças anuais. A mesma publicação citava dados do Caged que apontavam mais de 4 mil empregos formais diretos no setor.

Município de Divinópolis (MG) reúne mais de 2.550 empresas de confecção.Município de Divinópolis (MG) reúne mais de 2.550 empresas de confecção. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Divinópolis)

Roupa importada muda o negócio local

A concentração de empresas não protege o setor da concorrência. Nogueira Gabriel afirma que a pressão vem também da roupa pronta importada, que disputa o consumidor com as peças produzidas no país.

Entre os clientes, o empresário acompanha confecções que passaram da moda para a produção de uniformes. Na avaliação dele, esse mercado oferece alguma proteção diante da concorrência asiática.

A Acid aponta carga tributária, obrigações fiscais, custos financeiros e dificuldade de acesso ao crédito entre os principais obstáculos aos negócios. A entidade defende que a atração de empresas venha acompanhada de condições para quem já produz na cidade. “É igualmente importante fortalecer as empresas já instaladas no município”, reafirma Nogueira Gabriel.

Competitividade avança, mas economia perde posições

Divinópolis passou da 146ª para a 106ª posição no Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Segundo os resultados divulgados pela prefeitura no fim de agosto, a cidade ficou em nono lugar entre os municípios mineiros avaliados.

O avanço foi puxado pela dimensão "Instituições", que reúne sustentabilidade fiscal e funcionamento da máquina pública. Nesse recorte, Divinópolis subiu 111 posições, chegando ao 31º lugar nacional. Na dimensão "Economia", porém, caiu quatro posições e ficou em 143º.

A prefeitura também informa uma redução de 60% no tempo de licenciamento de empreendimentos, atribuída ao programa "Divinópolis Mais Livre". A divulgação não apresenta os prazos anteriores e atuais nem o período usado na comparação.

A identidade industrial de Divinópolis convive com um mercado de trabalho mais concentrado nos serviços. Em janeiro de 2026, o setor tinha mais de 28 mil vínculos formais. O comércio ultrapassava 16 mil, enquanto a indústria mantinha mais de 13 mil.

Os números são do Novo Caged, divulgados pela prefeitura, e são referentes aos vínculos existentes naquele mês, não às contratações realizadas no período. Segundo informações da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Semde), os números evidenciam, além da recuperação da atividade econômica, a consolidação de Divinópolis como um polo de oportunidades.

Dados mais recentes mostram que os setores também tiveram trajetórias diferentes na criação de vagas. Em agosto, Divinópolis registrou saldo positivo de 53 postos formais, segundo levantamento do Caged. Comércio e serviços abriram, respectivamente, 119 e 118 vagas. A indústria perdeu 112, e a construção, 81.

A saúde é uma das atividades que expressam a função regional da cidade. O Hospital Regional começou a receber pacientes de forma gradual em junho. Segundo o governo estadual, a unidade foi planejada para atender 54 municípios, com mais de 1,2 milhão de habitantes.

Essa abrangência ajuda a explicar por que a economia local não pode ser lida apenas pelo tamanho da população de Divinópolis. Parte da demanda por serviços vem de fora do município.

Infraestrutura melhorou; contratação preocupa

Questionado sobre gargalo local, Nogueira Gabriel não apontou uma obra específica como prioridade. Preferiu destacar problemas que considera encaminhados, principalmente no fornecimento de energia.

A Subestação Divinópolis 3, por exemplo, entrou em operação em fevereiro de 2026, segundo o governo estadual. Com capacidade instalada de 50 megavolt-ampères (MVA), a unidade reforça o atendimento a Divinópolis, Carmo do Cajuru e São Gonçalo do Pará.

O empresário também destaca a chegada do gás natural. Na avaliação dele, a disponibilidade de energia amplia as opções para a instalação e a expansão de indústrias.

A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) informou que os 110 quilômetros da linha principal do projeto centro-oeste foram concluídos, conectando Divinópolis e outros municípios à rede. O investimento superior a R$ 800 milhões corresponde ao projeto regional, que prevê cerca de 300 quilômetros de linhas.

Atrair profissionais qualificados faz parte do esforço para receber novas empresas em Divinópolis.Atrair profissionais qualificados faz parte do esforço para receber novas empresas. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Divinópolis)

A contratação de trabalhadores qualificados permanece entre as dificuldades identificadas por Nogueira Gabriel. Para ele, atrair profissionais também faz parte do esforço para receber novas empresas.

É nesse cenário que os sete eleitos ampliam as expectativas. A representação política pode abrir canais de negociação e a Acid espera que ela produza resultados concretos. “Essa visibilidade deve ser traduzida em resultados concretos, como investimentos, melhoria da infraestrutura, qualificação profissional, inovação e geração de empregos”, defende Nogueira Gabriel.

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