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Elefante Sandro

Transferência de elefante de 54 anos mobiliza cidade brasileira e gera disputa judicial

Sandro viveu mais de 40 anos no zoológico de Sorocaba antes de partir para o santuário, no Mato Grosso.
Sandro viveu mais de 40 anos no zoológico de Sorocaba antes de partir para o santuário, no Mato Grosso. (Foto: Mariana Campos/Prefeitura de Sorocaba)

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A transferência de um elefante de 54 anos, conhecido como Sandro, iniciada nesta semana, é alvo de uma disputa judicial e gerou grande repercussão. Na quarta-feira (16), após mais de quatro décadas no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), teve início o transporte do animal em uma viagem de 1.615 quilômetros. O destino é o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães (MT), onde deverá viver uma nova fase sob cuidados especializados.

A transferência foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em junho deste ano, depois de decisões, recursos e perícias sobre as condições de vida do elefante e os riscos de uma mudança em idade avançada. O caso envolveu a Prefeitura de Sorocaba, o Ministério Público e entidades de defesa animal.

A história do elefante Sandro

Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro chegou ao zoológico em janeiro de 1982, vindo de um circo. Na época, era adolescente e ainda carregava o apelido de “Trombadinha”.

Com o passar dos anos, tornou-se um dos animais mais conhecidos do Quinzinho de Barros e era descrito pelos tratadores como carinhoso, brincalhão e comilão.

Uma das relações mais marcantes da vida de Sandro em Sorocaba foi com Haisa. A elefanta chegou de outro zoológico e passou cerca de 20 anos ao lado dele. A morte dela, em 2020, mudou a rotina do animal e se tornou um ponto central na discussão sobre seu futuro.

Como foram os anos de disputa judicial para transferência do elefante?

Depois da morte de Haisa, o Ministério Público recomendou que Sandro fosse levado ao Santuário de Elefantes Brasil. Em 2022, porém, a Justiça negou um pedido de transferência imediata. Na ocasião, o MP informou que o animal não apresentava sinais de maus-tratos e tinha boa saúde física e mental. Um parecer técnico também apontava riscos relacionados ao transporte de longa distância.

Antes de enfrentar 1.615 quilômetros de estrada, Sandro teve alguns dias para se familiarizar com a estrutura que seria usada no transporte.Antes do trajeto de transferência de 1.615 quilômetros de estrada, Sandro teve alguns dias para se familiarizar com a estrutura que seria usada no transporte. (Foto: Mariana Campos/Prefeitura de Sorocaba)

O caso voltou aos tribunais em 2025. Uma nova perícia apontou que as condições oferecidas no zoológico eram insuficientes para garantir a qualidade de vida do elefante. Em abril daquele ano, a Justiça determinou a transferência, mas a prefeitura recorreu. Em junho de 2026, o TJ-SP autorizou a mudança, abrindo caminho para a preparação da viagem.

A despedida foi marcada por emoção e tensão. Funcionários fizeram uma última homenagem na véspera. No dia seguinte, um tratador chorou ao tentar se despedir do animal. Houve protestos contrários à transferência na saída da carreta.

A viagem de Sandro para o santuário em MT foi preparada por dias

A caixa de transporte chegou ao zoológico em 10 de setembro e permaneceu aberta para que Sandro pudesse entrar e sair livremente. No dia 12, ele entrou voluntariamente na estrutura pela primeira vez, etapa importante para a preparação do deslocamento. A caixa possui sistemas de ventilação e monitoramento de temperatura.

Câmeras instaladas na caixa permitem o acompanhamento em tempo real. O percurso inclui paradas para alimentação, hidratação, limpeza e observação do comportamento. A previsão é que a viagem dure cerca de dois dias e meio, com chegada ao santuário nesta sexta-feira (18), na hora do almoço.

Em vídeos publicados nas redes sociais do Santuário, profissionais que acompanham o transporte explicaram que a equipe levou equipamentos próprios, incluindo caixa d’água e uma picadeira que pode funcionar com energia elétrica ou gerador.

A alimentação também foi planejada para preservar a rotina conhecida por Sandro. Segundo o médico-veterinário Mateus Bianchini, a dieta principal não foi modificada de forma significativa. “Ele vem comendo aquele mesmo misturado que eles faziam de capim com os vegetais”, explicou.

A equipe oferece frutas inteiras para observar o apetite durante a viagem. Bianchini citou maçã, melão e mamão entre os alimentos que Sandro já consumia.

Nova fase no santuário: como será a adaptação do elefante Sandro?

O Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães, recebe animais que passaram por situações de cativeiro e oferece um ambiente com características mais próximas das necessidades naturais da espécie. O local é muito maior que o recinto ocupado por Sandro em Sorocaba e abriga outras elefantas.

A chegada será o início de uma nova etapa. Sandro deverá passar por um período de adaptação antes de ampliar gradualmente a circulação pelo espaço e o contato com os demais animais. A equipe também acompanhará sua saúde, comportamento e alimentação.

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