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Um grupo investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal discutiu planos para invadir e explodir o Palácio do Planalto e o local de um debate do segundo turno das eleições de 2026, segundo informações obtidas durante a investigação da Operação Rede Interrompida. A ação foi deflagrada na semana passada contra oito suspeitos em cinco estados e revelou conversas nas quais os investigados tratavam de possíveis ataques contra prédios públicos em Brasília.
Novos detalhes foram apresentados pela TV Globo, neste domingo (9), com base em mensagens monitoradas pelo Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça e Segurança Pública especializado em crimes cibernéticos. Entre os materiais encontrados estavam mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), além da planta baixa do Palácio do Planalto, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) despacha.
“Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”, disse o ministro Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública.
Segundo a investigação, o grupo chegou a discutir formas de entrar e sair do edifício e compartilharam informações sobre a estrutura interna destes locais. Uma das mensagens dizia que o objetivo era “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”, mas sem detalhar em qual emissora. Tradicionalmente, o primeiro debate é realizado pela Band e o último pela TV Globo nos dois turnos da eleição.
Dois grupos no Telegram eram usados pelos suspeitos, sendo um deles com mais de 600 integrantes e outro, mais restrito, com 46 participantes. Segundo os investigadores, integrantes considerados mais radicalizados eram direcionados ao segundo grupo, onde, além de discursos extremistas, circulavam instruções relacionadas à preparação de ataques violentos.
“Chegaram, inclusive, a compartilhar a planta baixa do Palácio do Planalto, para mostrar lá: 'a planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui'”, disse o delegado Maurílio Coelho Lima.
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Um relatório do Ciberlab classificou o conteúdo como de elevado grau de periculosidade, apontando planejamento de ações violentas com explosivos, disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência. Os administradores também tentavam identificar participantes dispostos a cometer assassinatos, de acordo com o Ministério da Justiça.
As conversas analisadas indicaram que o objetivo central era atacar prédios públicos, principalmente o Palácio do Planalto, como forma de transmitir uma mensagem de caráter violento e antidemocrático a partir de Brasília. O material apreendido também será analisado pelos investigadores para identificar a extensão dos planos e a participação individual dos suspeitos.
O Ciberlab funciona em uma área de acesso restrito em Brasília e atua na identificação de autores que utilizam perfis anônimos para disseminar conteúdos de ódio. Somente em 2026, o laboratório produziu 103 relatórios relacionados a mais de 50 grupos de ódio diferentes, com ataques frequentes contra mulheres e conteúdos racistas, misóginos e homofóbicos.
“A gente acredita que eles levariam [o plano] à frente. E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver”, afirmou o delegado responsável pela investigação.
Já o ministro Lima e Silva emendou afirmando que o caso demonstra a necessidade de vigilância diante da radicalização. Para ele, o “sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso”.
Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime, enquanto computadores e celulares apreendidos passam por análise.








