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Arsenal de vitaminas

A fruta asiática que se adaptou ao Brasil e que ajuda a combater o envelhecimento

Rico em antioxidantes, o jambo é nativo da Ásia e mais cultivado no Norte e Nordeste do Brasil.
Rico em antioxidantes, o jambo é nativo da Ásia e mais cultivado no Norte e Nordeste do Brasil. (Foto: Sharon Barcelos Carvalho/Spritzbear Sítio Panc)

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Famoso nas regiões Norte e Nordeste do Brasil pela beleza de sua florada e pelo sabor adocicado, o jambo — fruta de origem asiática adaptada ao clima brasileiro — atrai a atenção da ciência nacional pelas propriedades medicinais e nutricionais.

O jambeiro (Syzygium malaccense) pertence à mesma família botânica da goiaba e da jabuticaba. De acordo com pesquisadores, o seu fruto guarda um poderoso arsenal de vitaminas. São fibras e antioxidantes com potencial de combater os radicais livres e frear o envelhecimento precoce das células.

Além do uso tradicional no paisagismo urbano e na culinária, pesquisas recentes de universidades brasileiras associam os extratos do vegetal ao controle do diabetes, à proteção do sistema nervoso e à prevenção de marcadores do Alzheimer.

"O jambo é rico em vitaminas A, C e complexo B, além de minerais como ferro, cálcio e fósforo. Suas propriedades incluem ação antioxidante, antidiabética, adstringente e diurética. A casca e a polpa ajudam a proteger os vasos sanguíneos, combater radicais livres e auxiliar na digestão", explica o biólogo Valdely Kinupp, especialista em Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs).

O jambo pertence à mesma família botânica da goiaba e da jabuticaba.O jambo pertence à mesma família botânica da goiaba e da jabuticaba. (Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp)

Jambo é destaque no Norte e Nordeste com variedades de cores

De acordo com o Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), o jambeiro é uma planta exótica, originária do continente asiático, especificamente da Índia e da Malásia. Seu cultivo é comum em estados como Acre, Amazonas, Pará, Maranhão, Pernambuco, Bahia e Alagoas.

A árvore atinge portes que variam de 10 a 20 metros de altura. No período de agosto a fevereiro, ocorre a florada. O processo cobre a árvore com flores brancas, de cor creme ou rosas, formadas por inflorescências de pétalas arredondadas em forma de capuz.

Já a colheita dos frutos transcorre de janeiro a maio. Segundo o IBF, o jambo possui variedades de cores vermelha, rosa, branca e amarela. A opção vermelha apresenta casca fina, formato robusto e sabor doce com leve acidez. A variedade branca exibe sabor mais suave e menor teor de açúcar.

Congelada, a flor do jambeiro não perde a estrutura. No freezer, seus estames mantêm a textura e a cor vibrante para colorir pratos e drinques o ano todo.Congelada, a flor do jambeiro não perde a estrutura. No freezer, seus estames mantêm a textura e a cor vibrante para colorir pratos e drinques o ano todo. (Foto: Sharon Barcelos Carvalho/Spritzbear Sítio Panc)

Flor de jambeiro pode ser congelada e folhas ajudam a controlar o diabetes

Knupp explica que o jambo se enquadra em uma categoria especial de alimentos devido ao seu uso restrito no cotidiano. "A espécie é considerada uma plantas alimentícia não convencional. Se o consumo do fruto já não é corriqueiro, o das flores e folhas comestíveis é ainda mais ignorado. Elas podem enriquecer saladas, caipirinhas, sucos e até o arroz", elenca.

O especialista ressalta que a flor do jambeiro possui uma resistência incomum, podendo ser congelada sem perder a estrutura.
"É uma das poucas flores do planeta que podem ser armazenadas em saquinhos ou potinhos no freezer mantendo um visual surpreendente para o momento de servir", afirma.

Knupp destaca ainda as propriedades medicinais da planta. "Com propriedades protetoras surpreendentes, a folha ajuda no controle e tratamento do diabetes mellitus graças à ação anti-hiperglicêmica. E há quem brinque que o uso na caipirinha é quase um brinde à saúde, devido ao seu potencial hepatoprotetor, ou seja, de regeneração das células do fígado."

Cientistas da Unicamp utilizam casca e polpa desidratadas para avaliar os impactos da fruta no sistema nervoso de animais.Cientistas da Unicamp utilizam casca e polpa desidratadas para avaliar os impactos da fruta no sistema nervoso de animais. (Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp)

Pesquisa da Unicamp indica benefícios do jambo à saúde

Uma pesquisa de doutorado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conduzida por Ângela Giovana Batista avaliou os benefícios do jambo à saúde. A cientista secou a casca e a polpa da fruta e misturou o ingrediente na ração de camundongos sob dietas com pouca e muita gordura.

“Em testes anteriores detectamos compostos importantes para a saúde, como fibras alimentares, e compostos antioxidantes, como as antocianinas (pigmento vermelho, natural de algumas plantas) e taninos”, destaca Ângela. De acordo com a pesquisadora, o tratamento de dez semanas melhorou a capacidade dos animais de processar o açúcar no sangue, reduziu inflamações corporais e aumentou as defesas contra o envelhecimento celular.

Em um teste de memória em piscina com saída oculta, os roedores que comeram jambo nadaram direto para o local correto, enquanto os outros ficaram perdidos. “Os animais que consumiram as frutas mostraram assim melhor desempenho de aprendizado e memória”, reforça ela.

Os exames comprovaram que o cérebro dos camundongos alimentados com a fruta aproveitou melhor a insulina na região que controla o aprendizado. A pesquisadora explica que esse funcionamento correto protege os neurônios e evita o desgaste mental. “Além disso, a maior sensibilidade à insulina no hipocampo está ligada à prevenção de marcadores da doença de Alzheimer”, enfatiza.

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