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Sintonia Final, Sintonia Final do Sistema, Sintonia Restrita, Sintonia Final de Rua e Sintonia Final dos Estados e Países. Sintonia do Progresso, Setor da Padaria, Sintonia Interna, da Internet e Redes Sociais. Setor do Raio-X, Sintonia Final da Baixada, Sintonia dos Gravatas, Quadro dos 14 e FM-BX.
É assim, dividido em 14 setores (ou “sintonias”) por atividade e com diversos níveis de hierarquia entre si, como se fossem as diretorias de uma grande empresa, que está organizada a nova cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Nos últimos anos, o grupo criminoso paulista passou por uma reorganização interna com um expurgo de lideranças após integrantes da antiga cúpula desafiarem o poder do líder máximo Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, e não prevalecerem.
Atualmente são 89 líderes, responsáveis por diferentes funções dentro das 14 sintonias. Destes, 52 estão presos e 36 em liberdade. É o que aponta novo relatório e organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol) divulgado inicialmente em reportagem do SBT e confirmado pela Gazeta do Povo. Confira o infográfico ao final desta reportagem.
O organograma da polícia mostra quem são os 15 criminosos na Sintonia Final, instância máxima na hierarquia do PCC. O grupo liderado por Marcola é composto por seus aliados mais próximos.
Destes, apenas um está em liberdade. Marcola está preso desde 1999 — no sistema federal de segurança máxima desde 2019, circulando entre os presídios federais país afora — e é apontado pela polícia como líder máximo do PCC a partir de 2002.
O time de "missões especiais" dentro da hierarquia do PCC
Logo abaixo da Sintonia Final, está o grupo denominado como Sintonia Restrita, afirma o relatório do Dipol. Nela, oito membros de extrema confiança da cúpula dirigem missões especiais e “atuam como um braço direito da Sintonia Final”, afirma a polícia.
Abaixo destas, aparece um colegiado de “sintonias” (organograma completo está ao fim desta reportagem). Além dos integrantes da alta cúpula do PCC, o organograma da Polícia Civil inclui ainda nomes que orbitam a facção como “associados”.
Entre eles, está o empresário Mohamed Hussein Mourad, o Primo, um dos principais acusados de fraudes bilionárias no mercado de combustíveis. Investigado pela operação Carbono Oculto, Primo está foragido desde então. Ele nega ter ligação com a facção e a defesa dele tem dito que vai provar sua inocência.
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Os dissidentes que integravam o organograma do PCC antes do racha com Marcola
O novo relatório de inteligência da polícia registra também a expulsão e a sentença de morte de pelo menos três antigos membros da cúpula, classificados como traidores. Os nomes que aparecem como "decretados" à morte pela facção são Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka; Roberto Soriano, o Tiriça; e Wanderson Nilton Paula Lima, o Andinho.
Em 2024, o grupo desafiou abertamente Marcola e tentou expulsá-lo da facção após o áudio de uma conversa do líder da facção com um carcereiro durante um banho de sol ter sido utilizado como prova para incriminar Tiriça como mandante do assassinato de uma psicóloga do presídio — ele foi condenado a 31 anos de prisão anos pelo crime em 2023.
Marcola, que alegou aos comparsas que não sabia estar sendo gravado, chamou o comparsa de “psicopata" por ter ordenado o crime, ao comentar o caso. Levado à cúpula da facção, o caso foi considerado pelos outros criminosos como “um papo reto entre bandido e polícia”, conforme relatos da inteligência policial, e não uma delação do companheiro.
Como desdobramento da desavença, os cinco foram expulsos do PCC e tiveram a morte decretada pela facção. Eles seguem presos em isolamento no sistema penitenciário federal.
A hierarquia do PCC em 2026, segundo relatório da polícia
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