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Seis estados e o Distrito Federal iniciaram 2026 com o caixa no vermelho. Isso significa que eles não têm dinheiro para pagar as contas já assumidas e ficam limitados para fazer novos investimentos neste ano. Os dados constam nos Relatórios de Gestão Fiscal (RGF) do 3º quadrimestre de 2025 — esses documentos são obrigatórios e exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Alagoas, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre estão com o caixa negativo. A situação mais preocupante é do estado mineiro, que começou o ano com R$ 11,3 bilhões negativos. Abaixo, a lista com a situação de cada estado que está no vermelho:
- Minas Gerais: R$ 11,303 bilhões
- Rio Grande do Norte: R$ 3,002 bilhões
- Alagoas: R$ 926,27 milhões
- Distrito Federal: R$ 876,63 milhões
- Rio Grande do Sul: R$ 765,59 milhões
- Tocantins: R$ 288,47 milhões
- Acre: R$ 280,74 milhões
Os valores constam no campo de recursos não vinculados nos demonstrativos de disponibilidade de caixa e dos restos a pagar e evidenciam a real capacidade de pagamento de despesas por parte dos estados. Esses recursos não têm destinação legal específica.
O caixa negativo é um alerta especialmente em anos eleitorais. Isso porque a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe que os estados contraiam despesas que não possam ser pagas no último ano de mandato do governador. O objetivo é impedir a transferência de dívidas para o sucessor. O descumprimento pode acarretar na responsabilização por improbidade administrativa e sanções penais para os governadores.
O que dizem os estados que estão no vermelho
O governo de Minas Gerais informou que o resultado tem relação com “passivos herdados de gestões anteriores que foram renegociados” e que “é de conhecimento público que a atual gestão assumiu o estado com uma grave crise financeira, resultado de um problema estrutural cuja solução passa pela adoção de medidas constantes e de longo prazo”. Segundo nota enviada à Gazeta do Povo, o governo mineiro justifica que vem trabalhando desde 2019 para reduzir as dívidas, incluindo um “superávit de R$ 1,1 bilhão em 2025”, que “manteve o equilíbrio fiscal das contas públicas pelo quinto ano consecutivo.”
Por sua vez, o governo do Rio Grande do Sul disse que “essa condição não representa incapacidade de pagamento nem compromete a execução das políticas públicas” e que o “o mais importante é que o Rio Grande do Sul avançou de forma consistente na organização das suas finanças nos últimos anos”. O resultado, segundo o governo gaúcho, foi o registro de “cinco anos consecutivos de resultados fiscais positivos, salários em dia, pagamento regular de fornecedores e recuperação da capacidade de planejamento.”
Os governos do Distrito Federal, Acre, Alagoas, Rio Grande do Norte e Tocantins não responderam aos questionamentos feitos pela Gazeta do Povo.
Os estados com os caixas mais saudáveis
Enquanto aqueles estados começaram 2026 no vermelho, os demais estão com o caixa mais saudável. O destaque é o Paraná, único a superar a disponibilidade de R$ 10 bilhões, seguido de São Paulo e Paraíba. Abaixo, a lista dos estados com caixa no azul no início do ano.
- Piauí: R$ 137,8 milhões
- Paraná: R$ 10,507 bilhões
- São Paulo: R$ 5,916 bilhões
- Paraíba: R$ 4,054 bilhões
- Santa Catarina: R$ 3,864 bilhões
- Amapá: R$ 3,686 bilhões
- Goiás: R$ 3,46 bilhões
- Rio de Janeiro: R$ 2,154 bilhões
- Sergipe: R$ 2,11 bilhões
- Ceará: R$ 1,656 bilhões
- Mato Grosso: R$ 1,638 bilhões
- Pará: R$ 1,28 bilhões
- Espírito Santo: R$ 1,264 bilhões
- Pernambuco: R$ 1,026 bilhões
- Bahia: R$ 856,72 milhões
- Amazonas: R$ 676,14 milhões
- Maranhão: R$ 655,65 milhões
- Rondônia: R$ 639,61 milhões
- Mato Grosso do Sul: R$ 467,64 milhões
- Roraima: R$ 390,42 milhões
- Piauí: R$ 137,8 milhões
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