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Operação Canudo

PF cumpre mandados contra esquema de diplomas falsos de medicina

Operação Canudo identificou ao menos 45 médicos registrados indevidamente em diferentes estados.
Operação Canudo identificou ao menos 45 médicos registrados indevidamente em diferentes estados. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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A Polícia Federal (PF) cumpre, nesta quarta-feira (12), quatro mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e um de prisão temporária em uma investigação contra a venda de diplomas e documentos falsos de cursos de medicina, no âmbito da Operação Canudo. As buscas ocorreram em Montes Claros (MG), Bocaiuva (MG), Barreiras (BA) e Luís Eduardo Magalhães (BA).

As apurações começaram em 2023, após a apreensão de um desses diplomas, apresentado ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers). Apesar do avanço, a investigação identificou ao menos 45 médicos inscritos em conselhos regionais de diversos estados que teriam pago ao grupo investigado para obter documentos falsos usados para viabilizar o registro profissional.

Havia, ainda, uma manobra para cursar apenas o final da graduação.O grupo investigado produziria históricos escolares falsos, com os quais era possível viabilizar a transferência.

De acordo com a Superintendência da PF em Minas Gerais, o principal investigado já havia sido alvo de uma investigação, em 2016, sobre uma organização criminosa envolvida em fraudes no Enem. O esquema recrutava professores e estudantes para realizar as provas e transmitir as respostas, por dispositivos eletrônicos, a candidatos que pagavam para obter vantagem no exame.

A investigação identificou movimentações financeiras entre integrantes do grupo e pessoas suspeitas de adquirir os documentos. Segundo a PF, o esquema tinha ramificações em diferentes estados, embora não haja, na nota, a identificação dos conselhos regionais afetados.

A fraude funcionaria de duas maneiras. Em uma delas, diplomas falsificados eram apresentados diretamente aos conselhos profissionais para obtenção do registro. Na outra, históricos escolares e documentos acadêmicos adulterados permitiam que interessados ingressassem ou fossem transferidos para faculdades de medicina com o curso já em andamento, inclusive nos períodos finais da graduação.

A movimentação ocorre em meio ao debate sobre a formação médica no Brasil. Em abril de 2025, o Ministério da Educação lançou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A primeira prova culminou em um resultado negativo para 107 dos 351 cursos, mais de 30%, que receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios.

O resultado levou o governo a anunciar medidas como suspensão de novos ingressos, redução de vagas e restrições a programas federais para os cursos com pior desempenho. A aplicação das sanções, porém, está em disputa judicial. Na última quarta-feira (5), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu provisoriamente as penalidades após recurso de entidades que representam instituições privadas de ensino superior.

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