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A Polícia Federal (PF) cumpre, nesta quarta-feira (12), quatro mandados de busca e apreensão, dois de prisão preventiva e um de prisão temporária em uma investigação contra a venda de diplomas e documentos falsos de cursos de medicina, no âmbito da Operação Canudo. As buscas ocorreram em Montes Claros (MG), Bocaiuva (MG), Barreiras (BA) e Luís Eduardo Magalhães (BA).
As apurações começaram em 2023, após a apreensão de um desses diplomas, apresentado ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers). Apesar do avanço, a investigação identificou ao menos 45 médicos inscritos em conselhos regionais de diversos estados que teriam pago ao grupo investigado para obter documentos falsos usados para viabilizar o registro profissional.
Havia, ainda, uma manobra para cursar apenas o final da graduação.O grupo investigado produziria históricos escolares falsos, com os quais era possível viabilizar a transferência.
De acordo com a Superintendência da PF em Minas Gerais, o principal investigado já havia sido alvo de uma investigação, em 2016, sobre uma organização criminosa envolvida em fraudes no Enem. O esquema recrutava professores e estudantes para realizar as provas e transmitir as respostas, por dispositivos eletrônicos, a candidatos que pagavam para obter vantagem no exame.
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A investigação identificou movimentações financeiras entre integrantes do grupo e pessoas suspeitas de adquirir os documentos. Segundo a PF, o esquema tinha ramificações em diferentes estados, embora não haja, na nota, a identificação dos conselhos regionais afetados.
A fraude funcionaria de duas maneiras. Em uma delas, diplomas falsificados eram apresentados diretamente aos conselhos profissionais para obtenção do registro. Na outra, históricos escolares e documentos acadêmicos adulterados permitiam que interessados ingressassem ou fossem transferidos para faculdades de medicina com o curso já em andamento, inclusive nos períodos finais da graduação.
A movimentação ocorre em meio ao debate sobre a formação médica no Brasil. Em abril de 2025, o Ministério da Educação lançou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A primeira prova culminou em um resultado negativo para 107 dos 351 cursos, mais de 30%, que receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios.
O resultado levou o governo a anunciar medidas como suspensão de novos ingressos, redução de vagas e restrições a programas federais para os cursos com pior desempenho. A aplicação das sanções, porém, está em disputa judicial. Na última quarta-feira (5), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu provisoriamente as penalidades após recurso de entidades que representam instituições privadas de ensino superior.




